AFP PHOTO / EITAN ABRAMOVICH
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Cenário político do Paraguai depende de configuração do Senado

Capacidade de Benítez de implementar seus programas depende do tabuleiro de forças no novo Congresso

Fernanda Simas, enviada especial a Assunção, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2018 | 05h00

ASSUNÇÃO - Com o resultado da eleição presidencial, a expectativa agora no Paraguai é a configuração do novo Congresso, principalmente as 45 cadeiras do Senado. A vitória de Mario Abdo Benítez determina a continuidade do Partido Colorado no poder Executivo, mas a sua capacidade de implementar os programas que deseja depende do tabuleiro de forças na Casa.

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Atualmente, o Colorado tem 19 cadeiras e a segunda força no Senado é o Partido Liberal, com 13 assentos. No entanto, as pesquisas indicam que a Frente Guasú, do ex-presidente Fernando Lugo, pode passar a ocupar o segundo lugar, o que obrigaria o governo a buscar alianças com os opositores para conseguir aprovar sua agenda.

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“Esse é o resultado de dez anos de trabalho, são cinco senadores agora e acredito que seremos mais e continuaremos crescendo como coalizão política”, afirmou Lugo ao Estado ontem depois de votar. 

Com a perspectiva de continuidade do Partido Colorado no poder, os partidos de oposição chegaram a fazer campanha para que os eleitores votassem de maneira cruzada, ou seja, que optassem pelo presidente de um partido e a composição do Congresso de outro.

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O histórico de alianças políticas entre opositores no Paraguai não é novidade. O atual presidente, Horacio Cartes, por exemplo, precisou fazer uma aliança com o Partido Liberal, o chamado “pacto alzugrana”, nos dois primeiros anos de governo para aprovar medidas. Na ocasião, Cartes chamou o acordo, que previa o controle da Câmara para os liberais e do Senado para os colorados, de “histórico”.

Lugo X Cartes

Se a Frente Guasú ocupar a segunda posição no Senado, Lugo – atual presidente do Senado – retoma mais protagonismo na política do país. Presidente em 2008, após 60 anos de governo colorado, seu mandato durou até 2012, quando foi destituído acusado de incapacidade política para resolver uma crise de disputa de terras, após a morte de 17 pessoas em confrontos. 

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A aliança entre Cartes e o Partido Liberal permitiu a destituição de Lugo, que agora é aliado dos liberais. Em entrevista à rádio ABC, Lugo afirmou ontem que não sente ressentimento dos liberais pelo processo de destituição e precisa fazer concessões se quiser mudar o país. 

Se confirmada sua vitória, Lugo deve ter seu primeiro embate com Cartes, pois defende que a candidatura dele é inconstitucional. Segundo a lei paraguaia, todos os ex-presidentes serão senadores vitalícios, mas sem direito a votar. No caso de Lugo, ele pôde se candidatar em 2013 e ganhou. Mas Cartes aparecia em primeiro lugar na folha de votação ao Senado ontem em razão de uma decisão polêmica no fim de 2017.

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