AP Photo/Alessandra Tarantino
AP Photo/Alessandra Tarantino

Cenário: Políticos exploram sentimento contra imigração do eleitor italiano

Escolha dos italianos nesta eleição deve repercutir em toda a Europa, pois o país é a principal porta de entrada dos imigrantes no continente

Michael Birnbaum / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

05 Março 2018 | 03h00

Na semana passada, os líderes da cidade operária de Sesto San Giovanni comemoraram mais uma etapa da sua política anti-imigração – a expulsão do 200.º imigrante – com um bolo recheado de pistache. Muitos italianos que votaram ontem compartilham dessa arrogância. A Itália vem tendo dificuldades para acomodar os mais de 620 mil imigrantes que chegaram às suas costas desde 2012 e um novo desejo tem ganhado força: expulsar todos eles.

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O ex-premiê Silvio Berlusconi prometeu desativar o que chamou de “bomba social pronta para explodir na Itália”, com a deportação de 600 mil pessoas. Seus parceiros de coligação, incluindo um grupo formado por remanescentes do Partido Fascista, são ainda mais inflamados com relação aos imigrantes, a maioria da África subsaariana.

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A escolha dos italianos nesta eleição deve repercutir em toda a Europa, pois o país é a principal porta de entrada dos imigrantes no continente. Sesto San Giovanni deseja que sua política com relação aos imigrantes se torne modelo.

A cidade de 83 mil habitantes, próxima de Milão, antigamente era chamada Stalingrado da Itália por suas inclinações comunistas. Desde a 2.ª Guerra sempre elegeu prefeitos e vereadores de esquerda, até o ano passado, quando candidatos que faziam campanha contra os imigrantes assumiram o governo local. Os novos líderes aproveitaram-se do sentimento dos eleitores num momento em que o desemprego continua alto e os italianos se perguntam por que é gasto tanto dinheiro para ajudar os imigrantes quando eles próprios estão vulneráveis.

Com a população se mostrando cada vez mais contrária aos imigrantes e refugiados, os líderes políticos procuram se beneficiar disso e durante a campanha pareciam travar uma guerra para mostrar a posição mais dura, com ideias tradicionalmente defendidas pela extrema direita. A Liga Norte, que se popularizou com suas ideias anti-imigração, tem chances de superar a Força Itália, parceira de coalizão mais de centro. De todos os resultados possíveis, este é o que pode ter consequências mais severas para os imigrantes.

Em Sesto San Giovanni, muitos moradores são cautelosos. “Acho que temos de acolher os que estão realmente fugindo da guerra”, diz Rafaele Mazza, de 66 anos, ferroviário aposentado. “Mas a África inteira não cabe na Europa.” / Tradução de Terezinha Martino

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