Fernando Llano/AP
Fernando Llano/AP

Cenário:Pressões chavistas provocam adaptação na imprensa local

Quem assistiu à Globovisión antes e depois de sua mudança de dono chega a questionar se é a mesma emissora. Os longos programas opinativos e bastante críticos ao chavismo foram substituído por noticiários. Propagandas de ações do governo recheiam o espaço comercial.

Luiz Raatz, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS

01 de março de 2014 | 17h09

Desde a não renovação da concessão da RCTV, em 2007, a Globovisión tinha se transformado no principal canal contrário aos chavistas. Presente nos pacotes de TV a cabo em alguns Estados do país, a emissora fez campanha aberta para o candidato da oposição, Henrique Capriles, nas eleições de 2012 e 2013.

Sem espaço nos canais do Estado, que monopolizam as frequências – são cinco TVs, ao todo: VTV, TVES, Vive TV, FANB TV e ANTV –, dirigentes da Mesa da Unidade Democrática recorrem a transmissões via internet e às redes sociais para espalhar suas mensagens. Capriles, por exemplo, tem um site chamado Capriles TV, que transmite atos e entrevistas coletivas do governador de Miranda.

Sem canais venezuelanos, o público simpático à oposição recorreu a meios de comunicação internacionais, como a NTN24 e a CNN em espanhol. Com o canal colombiano retirado do ar, restou a CNN, com um conteúdo também bastante crítico ao chavismo.

A partir da cassação das credenciais dos jornalistas do canal americano, no entanto, foi possível ver que o tom do noticiário também tornou-se mais ameno. Convites eram reiterados a todo momento para que integrantes do governo dessem sua versão da história.

Do lado chavista, o discurso nos canais oficiais era uniforme: havia um grupo pequeno e violento que queria dar um golpe de Estado com ajuda externa dos Estados Unidos e da Colômbia.

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