CENÁRIO: Protagonistas de escândalo somem em coroação

Cristina de Borbón, irmã do novo monarca, e seu marido, Iñaki Urdangarin, não foram vistos na cerimônia de coroação. Ele foi acusado de corrupção no chamado caso Nóos, que em 2010 envolveu suspeitas de desvio de fundos, prevaricação, contrabando e lavagem de dinheiro. O escândalo atingiu em cheio a família real e causou o afastamento entre Felipe e Cristina, em nome da preservação da imagem da família real. O processo enfrentado pelo casal na Justiça da Espanha foi um dos mais graves episódios a atingir Juan Carlos, ajudando a precipitar sua abdicação.

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2014 | 02h02

Uma das grandes reclamações dos republicanos espanhóis é a falta de um referendo que permita ao país se manifestar sobre se prefere a manutenção do sistema que impõe como chefe de Estado um rei. Pesquisa recente do Instituto Metroscopia constatou que 62% dos espanhóis entrevistados seriam a favor da consulta popular, e 49% votariam pela monarquia e 36% pela república. "Não digo eu, mas meus filhos e descendentes em geral deveriam ter o direito de aspirar a ser chefes de Estado de seu país, como qualquer outro cidadão que reúna condições para tanto", criticou o bancário Santiago Fernández. "Estou triste. Vejo que esse anacronismo sem sentido vai continuar", lamentou. Outra razão de protestos é o status e a imunidade que Juan Carlos terá por lei. A dotação de € 7,7 milhões para gastos da Casa del Rey - em queda pelo quarto ano consecutivo - também incomoda parte da opinião pública.

Em resposta, os monarquistas alegam que a família real espanhola é uma das mais austeras da Europa, com previsão de gastos cinco vezes inferior à da Holanda e sete vezes à da Noruega. "Espero que o novo rei siga o caminho da integridade moral", disse o professor aposentado Carlos Muñoz, que trazia o neto em torno do pescoço, para que a criança enxergasse o chefe de Estado. "Viva o novo rei! Viva a Espanha!", gritava.

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