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Cenário: Queda de chavista, derrota de Putin 

Putin está ciente do risco de perder dinheiro, mas o investimento não está no petróleo, e sim em cada governo que proclame resistência à expansão ocidental

Leonid Bershidsky* / W.Post , O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2019 | 05h00

Se Nicolás Maduro cair, Vladimir Putin terá de lidar com o custo de outra aposta errada. A Rússia é o principal patrocinador da Venezuela depois da China. Dados são escassos, mas se estima que a China tenha empenhado US$ 70 bilhões, a maior parte para ser devolvida em petróleo. A Rússia emprestou US$ 17 bilhões nos últimos 20 anos. Em dezembro, Putin prometeu mais US$ 6 bilhões, além de 600 mil toneladas de grãos. 

Embora a Venezuela tenha sido lenta no fornecimento de petróleo para cobrir suas dívidas, a Rússia se satisfaz em receber licenças lucrativas de extração de petróleo e gás. Moscou tem participação minoritária em cinco joint ventures com a PDVSA. Juntas, elas produziram 59 milhões de barris em 2017, mais de 8% da produção anual da Venezuela. 

Mas, se Maduro cair, é muito provável que os projetos russos sejam suspensos e as dívidas da Venezuela, ignoradas. Isso explica a defesa de Maduro feita por Moscou, que chegou a sugerir um plano de recuperação econômica para os venezuelanos. No entanto, pode ser tarde demais. Nenhuma repressão pode prolongar um sofrimento dessa escala indefinidamente. 

Então, por que Putin continua escolhendo amigos tão imprudentemente? É que a lógica da política externa de Putin é resistir à influência dos EUA em todos os lugares que puder, mesmo que isso envolva apoio a regimes cruéis. Putin está ciente do risco de perder dinheiro, mas o investimento não está no petróleo, mas em cada governo que proclame resistência à expansão ocidental. 

Ao contrário da China, para quem os gastos politicamente motivados são um meio de obter influência econômica, os gastos de Putin são principalmente em geopolítica ao estilo soviético, mesmo que seja estruturado como uma negociação comercial capitalista. 

Na Venezuela, porém, o interesse econômico pode ser mais forte do que em outros lugares. Embora o país não produza muito petróleo hoje, ele ainda tem as maiores reservas do mundo. Para a Rússia, uma presença na Venezuela ajuda a garantir um papel no mercado de petróleo. Se Maduro perder, será uma derrota para Putin. Mas isso não o impedirá de continuar financiando outros Maduros no mundo. E, se o venezuelano se apegar ao poder, isso apenas convencerá Putin de que os gastos compensam. 

*É JORNALISTA

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