AFP PHOTO / Omar haj kadour
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Cenário: Regime teria até 100 ogivas com gases prontas para uso

Bashar Assad define seu formidável arsenal de armas químicas como 'um recurso estratégico'

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2017 | 05h00

Bashar Assad define seu formidável arsenal de armas químicas como “um recurso estratégico” – granadas de artilharia, bombas aerotransportadas e, talvez, mísseis de médio alcance, todos municiados com cargas letais. O regime sírio mantém um Comando Aeroestratégico – criado por Hafez Assad, pai do atual presidente da Síria –, que teria, prontas para uso, de 50 a 100 ogivas de 700 quilos de gases mortíferos.

A unidade militar é, de acordo com Bashar Assad, “um elemento de dissuasão” e foi organizada pelo general dissidente russo Anatoli V. Kuntsevich, um ex-assessor do presidente da Rússia, Vladimir Putin, para assuntos de armas químicas e biológicas.

Ele responde desde 2002 a um processo por contrabando de 600 quilos do agente multiplicador do gás VX2, que atua sobre o sistema nervoso central. Kuntsevich é, ainda, o responsável pela instalação de um laboratório na periferia da cidade síria de Alepo, próximo da fronteira com a Turquia, para a produção de Iperita, o gás mostarda que produz úlceras na mucosa respiratória provocando dores excruciantes e a morte por asfixia.

Em setembro de 2007, uma explosão acidental na fábrica matou 15 soldados sírios e feriu 50 técnicos, entre os quais, iranianos e asilados iraquianos.

O gás mais comum no estoque do Comando Aeroestratégico é o sarin, 500 vezes mais potente que o cianeto, e fatal mesmo em pequenas doses – mas se trata de um agente binário, resultante da combinação de dois elementos, a amine de isopropil e o difluoride de methyilphosphonyl. Devem ser mantidos separados, em ampolas armazenadas em locais distantes uns dos outros, em ambiente controlado. 

Ambas as substâncias só funcionam quando reunidas. Depois de misturadas, não podem mais ser separadas. 

Em 1962, os Estados Unidos utilizavam a ogiva M.139 do foguete Honest John, com alcance de 40 quilômetros, para lançar 235 pequenas granadas de sarin. As ampolas se rompiam durante a fase descendente do voo e só então os elementos eram combinados. Os Estados Unidos baniram as armas químicas há cerca de 27 anos. 

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