AP Photo/Mauricio Cuevas
AP Photo/Mauricio Cuevas

Cenário: Rivais da Guerra Fria travam disputa por resgate no Atlântico

Rússia e EUA despacharam recursos avançados para rastrear o fundo do mar

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2017 | 05h00

Há 5 mil pessoas e ao menos 30 aviões e navios envolvidos na busca ao San Juan, na região gelada do Atlântico Sul. Mas, no esforço multinacional, duas iniciativas têm boas chances de localizar o navio naufragado e seus 44 tripulantes. A Rússia e os EUA despacharam recursos avançados para rastrear o fundo do mar com precisão notável. 

O minissubmarino americano é um misto de nave de reconhecimento e resgate. Está chegando ao quadrilátero de 450 km² onde foi possível situar o San Juan pela última vez. Mergulha até 600 metros e, em condições especiais, pode chegar perto de 1.000 metros. Muitos dos sistemas de bordo são confidenciais. A varredura direta usa imagens holográficas e multidimensionais de alta definição. Tem ainda sensores térmicos e investiga a existência de massas metálicas. Pode acoplar ao casco do submarino e ter acesso a seu interior. 

É um grande aparato. Mobiliza de 25 a 40 técnicos. Para por o minissubmarino a bordo do navio transportador, a equipe emprega um braço mecânico que sozinho pesa 40 toneladas. Com o grupo segue uma câmara hiperbárica para eventual descompressão dos resgatados. O conjunto está a bordo do cargueiro norueguês Sophie Siem, que teve a popa cortada e adaptada na base de Comodoro Rivadavia.

A bordo das corvetas argentinas Rosales e Islas Malvinas está a Pantera Plus, da Rússia. É uma sonda leve, não tripulada, normalmente agregada à Frota do Mar Negro. Foi transportada com todos os sistemas de apoio, operadores e um médico a bordo do cargueiro An-124. Moscou também deslocou para a área o navio de pesquisa Yantar, que pode trabalhar como parceiro da Pantera.

EUA e Rússia cumprem duas missões: encontrar o navio e exibir suas capacidades. Não que haja clientes em fila interessados na compra desse equipamento – caro e específico. Mas as variantes das tecnologias servem a outros propósitos: redes de vigilância, por exemplo.

Todo o procedimento encara agora certas dificuldades. O relevo marinho é diferente da planície por onde o San Juan navegava. Acidentado, em aclive que passa de 250 metros para pontos de 1 mil, 2 mil, e depois de 3 mil metros, o fundo pode esconder o submarino. Pior, as condições meteorológicas estão mudando – vai chover e os ventos chegam a 90 km/h.

 

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