Thailand Government Spokesman Bureau / AP
Thailand Government Spokesman Bureau / AP

CENÁRIO: Só pensar nas crianças não basta, é preciso protegê-las

Sempre amamos uma história de resgate positiva. Relatos de sobrevivência em circunstâncias adversas nos dão uma possibilidade de esperança e redenção independentemente do que possa estar ocorrendo no mundo

Christine Emba / Washington Post, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2018 | 05h00

Na manhã de terça-feira, os quatro últimos membros da equipe dos Javalis Selvagens foram resgatados da caverna na Tailândia com seu treinador. O final triunfante da história foi transmitido rapidamente para o mundo pelas tevês. E o mundo respirou com alívio.

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Nas últimas semanas os americanos têm mantido sua atenção fixada nos problemas vividos por crianças. Algumas separadas dos pais na fronteira dos EUA com o México ou envolvidas nas maquinações dos EUA contra o aleitamento materno na assembleia da Organização Mundial da Saúde. 

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Crianças que poderão nem mesmo existir, pois os jovens da geração do milênio estão protelando cada vez mais a paternidade, e aquelas que provavelmente nascerão se a ação Roe versus Wade for esvaziada no caso de uma nova maioria conservadora ser criada pelo nomeado à Suprema Corte pelo presidente Donald Trump. O que significa o fato de as crianças ficarem no centro dos noticiários?

No caso dos meninos na Tailândia, sempre amamos uma história de resgate positiva. Relatos de sobrevivência em circunstâncias adversas nos dão uma possibilidade de esperança e redenção independentemente do que possa estar ocorrendo no mundo. 

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Sabemos, no fundo, que a maneira como tratamos os mais jovens e mais vulneráveis entre nós é reflexo do que somos como sociedade e o mais claro sinal de onde chegamos. Infelizmente, apesar de toda a comemoração pelo fim da agonia dos meninos na Tailândia, são poucas as boas notícias. 

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Nosso persistente drama na fronteira – bebês de meses separados de seus país, alguns com mais sorte foram reunidos com os pais, mas voltaram sujos e com piolhos – mostra a brutalidade alarmante por parte das agências de controle da imigração e dos setores da direita que as aplaudem. A indignação com essas políticas prova que essa crueldade não é universal. Mas como chegamos a esse ponto?

O ataque desconcertante da delegação de Trump contra o aleitamento materno na OMS – supostamente em nome dos fabricantes de leite em pó infantil – é um exemplo claro do que o governo valoriza: as corporações, não as crianças, e Trump intimida e ameaça para impor seu ponto de vista.

O fato de um potencial desgaste do direito de abortar ser visto como uma calamidade diz muito sobre o fracasso dos EUA em oferecer uma assistência médica universal, licença-paternidade e políticas que favoreçam as famílias como também no que se refere às opções individuais e os valores morais. Embora se fale tanto em “valores familiares”, na verdade ter uma família nos EUA parece mais difícil do que em qualquer outro lugar do mundo desenvolvido.

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Mas é bom que as crianças se tornem o grande destaque, abrindo nossos olhos para os problemas cada vez mais profundos com que nos defrontamos. Temos de pensar nas crianças ainda mais. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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