Luis ROBAYO / AFP
Luis ROBAYO / AFP

Cenário: Tensão com Venezuela é grande, mas risco de guerra é baixo

Para assessor militar do presidente Jair Bolsonaro, fato de crise ser regional e não bilateral diminui as chances de confronto armado

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2019 | 15h41

Não haverá guerra do Brasil com a Venezuela - e esse risco nunca houve, disse na terça-feira, 26, um dos assessores militares do presidente Jair Bolsonaro, lembrando o que considera “um fator básico”: a crise não é bilateral, é uma questão regional. 

O clima é tenso na fronteira; toneladas de comida ainda esperam na pequena Pacaraima, em Roraima, para ser retirados por voluntários. Mas os representantes de 10 países dos 14 integrantes do Grupo de Lima, reunidos por dois dias em Bogotá, deram um jeito de abaixar o fogo da fervura que cozinhava uma intervenção armada. 

A tese agora é a da “transição democrática conduzida pelos próprios venezuelanos pacificamente”. O vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, defendeu a abertura de uma linha direta de diálogo com os generais bolivarianos, pessoas que ele, ex-adido na embaixada de Caracas, conhece bem. É claro que essa iniciativa tem forte cheiro de conspiração, mas é uma variação válida no campo diplomático.

A angústia está firme na linha de divisa com a Colômbia, velha adversária do regime chavista. É também parte substantiva da declaração do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que insistiu em Bogotá: “todas as opões estão sobre a mesa”. 

A inquietação se justifica. O alerta para as tropas do lado colombiano continua alto. Acima de 70% do dispositivo militar venezuelano está voltado para a fronteira oeste. Por ali, na semana passada, passaram três cargueiros C-17 americanos, cada um deles capaz de transportar 77,5 toneladas por até 5 mil quilômetros. Estariam recheados de doações. Mas podem levar 134 soldados armados e equipamento de combate. São utilizados pelas unidades de deslocamento rápido dos EUA. Em uma delas, no sudeste do país, 5 mil combatentes estão de sobreaviso - mobilização a qualquer momento.

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