Cenário: Trump questiona estratégia agressiva para a Venezuela

Presidente reclama de ter sido informado que seria fácil substituir Maduro

Anne Gearan, Josh Dawsey, John Hudson e Seung Min Kim / THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2019 | 05h00

Frustrado com a resistência de Nicolás Maduro, Donald Trump tem questionado a estratégia agressiva adotada por seus assessores. Segundo fontes da Casa Branca, ele reclama de ter sido informado que seria fácil substituir o chavista. Boa parte da insatisfação é direcionada ao conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, que defende uma intervenção na Venezuela – em choque com a visão do presidente, que quer evitar aventuras externas. 

Recentemente, Trump disse que Bolton quer colocá-lo “em uma guerra”, segundo um assessor da Casa Branca. Os EUA continuam apoiando Juan Guaidó, mas estão agora mais cautelosos quanto à saída de Maduro. De acordo com três funcionários do governo, que pediram anonimato, Trump tem criticado Bolton por ter subestimado o líder chavista.

Bolton garante que seus planos estão funcionando, que Maduro tem dormido em um bunker, com medo da traição de algum assessor. Trump, porém, teme que seu conselheiro o tenha colocado na defensiva e o deixado no escuro sobre a situação real. Apesar das queixas, o emprego de Bolton está seguro, de acordo com funcionários da Casa Branca. 

Aparentemente, Trump se sente mais confortável em colocar pressão no Irã do que na Venezuela, onde qualquer intervenção ameaça lançar os EUA em um conflito com a Rússia. O presidente, que no passado pensou em invasão, agora não se mostra tão animado. De maneira privada, ele diz que até gosta de Guaidó, mas não sabe se ele está preparado para assumir o poder. 

No Pentágono, analistas encaram qualquer intervenção na Venezuela como um perigoso lamaçal no qual as tropas americanas podem se atolar. Eles alertam que o uso de Tomahawks causariam a morte de milhares de civis. 

Assessores dizem que as opções sob análise, enquanto Maduro estiver no poder, incluem o envio de militares para a região, ajuda a países vizinhos e outras formas de apoio humanitário a refugiados venezuelanos. Outras alternativas mais ousadas incluem o envio de navios de guerra para o litoral da Venezuela como demonstração de força. 

John Feeley, ex-embaixador americano, cita ainda uma outra razão pela qual uma intervenção parece improvável. “Vai contra a narrativa eleitoral de Trump para 2020. No momento em que o país está retirando tropas de Síria, Iraque e Afeganistão, como justificar o envio de soldados para um lugar onde ninguém sabe quem é mocinho e quem é bandido?” 

SÃO JORNALISTAS

 

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