EFE/ Jim Hollander
EFE/ Jim Hollander

Cenário: Um problema maior que a Coreia do Norte

Elite militar iraniana definiu como meta a formação de um arsenal fixo de cinco a dez armas atômicas

Roberto Godoy*, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2018 | 05h00

O programa nuclear do Irã é maior, mais caro e mais antigo que o da Coreia do Norte. É também perigoso: a Guarda Revolucionária, elite militar iraniana, definiu como meta a formação de um arsenal fixo de cinco a dez armas atômicas, cada uma com potência de 10 quilotons – pouco menores que as usadas pelos EUA contra o Japão, porém mais eficientes graças às novas tecnologias. O Projeto 111 definiu um grupo, sob direção do físico Mohsen Fakhrizadeh, o Cérebro, para desenvolver, testar, miniaturizar e integrar as cargas de ataque nas ogivas de mísseis. 

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O empreendimento, que deveria ter sido interrompido em 2016 para facilitar a suspensão das sanções internacionais, consumiu US$ 33 bilhões, de 1995 e até 2015. O complexo operacional, distribuído por todo o país, é formado por dez instalações: três plantas industriais para enriquecimento de urânio e construção de ultracentrífugas, três reatores de pesquisa, dois centros de investigação e duas minas de extração de minério. Algumas são subterrâneas, protegidas de eventuais bombardeios por grossas camadas de concreto e placas metálicas de alta resistência. Segundo relatórios de inteligência dos EUA e da Europa, 60 mil técnicos trabalham nas atividades.

Amad, o nome do plano iraniano revelado por Binyamin Netanyahu, significa “aviso” ou “conselho”, em farsi. Nos documentos obtidos pelo Mossad, a principal organização israelense de coleta de informações, há atualizações de fatos já conhecidos. No viés do programa de mísseis, a prioridade é para os dez modelos de curto e médio alcance – de 100 km a 4 mil km, capazes de transportar uma ogiva de 750 kg –, descritos sob a rubrica Projeto Koussar. Nesse raio de ação, o Irã pode atingir todo o Oriente Médio. 

* É JORNALISTA

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