AP Photo/Eraldo Peres
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Cenário: Uma disputa dentro do Partido Colorado

Em agosto, aliados do ex-presidente chegaram a anunciar que assinariam o pedido de impeachment de Mario Abdo Benítez após o escândalo na renegociação da venda de energia paraguaia de Itaipu para o Brasil 

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2019 | 05h00

Políticos e analistas paraguaios avaliam que o primeiro efeito do pedido de prisão contra Horacio Cartes fortalece o atual presidente, Mario Abdo Benítez, na disputa dentro do Partido Colorado.

Desde que tomou posse, em 2018, Abdo Benítez depende do apoio do Honor Colorado, grupo controlado por Cartes, para se manter no poder. Em agosto, aliados do ex-presidente chegaram a anunciar que assinariam o pedido de impeachment de Marito após o escândalo na renegociação da venda de energia paraguaia de Itaipu para o Brasil

O impeachment chegou a ter maioria no Congresso, mas naufragou na última hora, depois de uma negociação que envolveu a nomeação de ministros e cargos-chave nas áreas de fiscalização e combate à corrupção – o grupo de Cartes retirou as assinaturas e salvou a cabeça de Abdo Benítez. Agora, a situação se inverte. É Cartes quem vai depender do presidente, caso a Justiça brasileira peça sua extradição.

O fato de o chefe de gabinete do presidente paraguaio, Juan Ernesto Villamayor, ser acusado de receber suborno de US$ 2 milhões quando era ministro do Interior de Cartes para evitar a extradição do doleiro Dario Messer é considerado secundário perto do estrondo causado pelo pedido de prisão do ex-presidente. O debate agora deve se voltar para a discussão sobre a imunidade parlamentar de Cartes e a possibilidade de extradição dele e de outros acusados.

As suspeitas de que Cartes cometeu crimes e seu envolvimento com Messer não são surpresa para ninguém no Paraguai. Estas relações foram destrinchadas em reportagens e por uma comissão de inquérito no Congresso paraguaio.

“Isso confirma as investigações que tínhamos feito. Encontramos indícios e elementos suficientes para iniciar uma investigação”, disse o senador Jorge Querey, da Frente Guazú, que presidiu a comissão.

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