CENÁRIO: Uma incógnita a mais num ambiente de pouca clareza

General é tido como o representante de uma espécie de terceira via reivindicada por setores dos dois lados, mas sem um papel definido

Roberto Lameirinhas , O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 02h00

A libertação condicionada de Raúl Baduel acrescenta uma incógnita ao já confuso período pré-eleitoral da Venezuela. O general que restituiu o poder a Hugo Chávez após a fracassada tentativa de golpe de 2002 e caiu em desgraça ao ser preso por ordem do chavismo em 2009 – sob a acusação de ter desviado dinheiro do orçamento das Forças Armadas – ainda é respeitado dentro e fora dos quartéis. 

Na verdade, a prisão dele causou um mal disfarçado desconforto em Forte Tiuna, a maior instalação militar da Venezuela, ao ser atribuída a uma manobra da ala castrense vinculada ao atual presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello. A disputa interna entre Cabello e Baduel e suas motivações nunca ficaram suficientemente claras.

Analistas situam o rompimento de Baduel com o núcleo duro do chavismo na época da resistência dele à reforma constitucional imposta por Chávez via decreto em 2007, depois de derrotada nas urnas. A reforma aprofundava o “Socialismo do Século 21”, defendido vigorosamente pelos chavistas mais radicais.

Se a oposição armada e decisiva ao golpe de 2002 lhe valeu a confiança de Chávez – de quem se tornou não só ministro da Defesa como também compadre, no plano pessoal –, a moderação em relação ao regime deu a ele o respeito da oposição.

Baduel foi um dos soldados que no começo de suas carreiras militares juraram um dia “romper com a opressão dos poderosos” da Venezuela. Mas não esteve entre os oficiais bolivarianos que lançaram, em 4 de fevereiro de 1992, a malsucedida ofensiva golpista liderada por Chávez contra o presidente Carlos Andrés Pérez. 

Hoje, numa sociedade dividida ao meio entre defensores e opositores do chavismo, é tido como o representante de uma espécie de terceira via reivindicada por setores dos dois lados, mas sem um papel definido.


Tudo o que sabemos sobre:
CenárioVenezuelaRaúl

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.