AP/Manu Fernandez
AP/Manu Fernandez

Cenário: Uso de veículo dribla aparato antiterrorista

Espanha está em alerta nível 4 e sua máquina de segurança está na mobilização máxima, mesmo assim não conseguiu antecipar ataque de Barcelona

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2017 | 05h00

Não há como evitar o trânsito da van do terror. O alerta na Espanha está há 26 meses no nível 4, o penúltimo na escala de 5. Segundo o Centro de Inteligência contra Terrorismo e Crime Organizado (Citco) de Madri, desde maio de 2015, a sinalização “é a vermelha-1, indica agressão iminente”. Na prática, significa a mobilização máxima da máquina de segurança interna montada pelo governo espanhol. 

O tamanho da estrutura é sigiloso. Uma avaliação estimava, há três anos, em 33 mil o número de agentes fixos. O Citco pode muito. Realiza monitoramento das comunicações, faz escutas telefônicas, rastreia pessoas, mobiliza esquadrões táticos e monta investigações com certa liberalidade quanto aos direitos individuais. Reúne todas as agências e serviços do setor. Ainda assim, não conseguiu antecipar o ataque de Barcelona. 

O alerta de alto risco mobilizou em junho de 2005 cerca de 3 mil combatentes, todos empenhados no trabalho de campo. O Ministério do Interior admite a prisão de “180 terroristas da jihad” nos últimos dois anos. Não se sabe quantos permanecem encarcerados. Nessa fase, os times especializados, militares e policiais, encontraram evidências de que havia uma ação em preparo, provavelmente a explosão de uma bomba. 

Este tipo de ataque implica pessoal treinado, equipamento, explosivos e logística. “O uso de um caminhão, uma van ou mesmo um carro comum não tem forma nem cheiro. Só precisa de um terrorista que saiba dirigir e seja maluco o suficiente para invadir uma rua para atropelar quantas pessoas puder”, disse ontem o ex-capitão Edoardo, veterano do contingente espanhol enviado à Guerra do Iraque e atualmente integrante de uma empresa americana de segurança militar. 

 

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