AFP PHOTO / PABLO VILLAGRA
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Cenário: Varredura se concentra na busca de 2,1 mil toneladas de metal

Constituição da plataforma continental, que tem decliveis em níveis que chegam até a 6 mil metros, dificulta trabalho

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2017 | 05h00

O limite de mergulho do S-42 San Juan é de 250 metros, mas nos testes a que foi submetido no Mar do Norte, antes da entrega, há pouco mais de 30 anos, o estaleiro alemão Thyssem teria levado o navio sob a água até além de meio quilômetro – o dobro da faixa de segurança, talvez um pouco mais. 

Condições extremas: o casco de aço gemeu, os motores elétricos entraram na faixa vermelha e, ao final, a máquina de guerra aguentou. Esse fato, lembrado nesta sexta-feira por um capitão aposentado da Marinha da Argentina que esteve envolvido no processo de compra, entre 1983 e 1985, pode ser um facilitador na missão de localização do submarino naufragado.

A possibilidade de que haja sobreviventes é remota. Embora o San Juan conte com reservas de oxigênio e purificadores químicos do ar, o fato de ter havido uma explosão interna e depois disso nenhum ruído, apenas silêncio, não é um bom indicador.

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A varredura agora se fará na busca dos sinais indicadores de 2.100 toneladas de metal, perdidos em algum ponto no fundo do Atlântico Sul, ao largo da Península Valdés. Para hoje, os meteorologistas preveem para o quadrante um dia de sol, temperatura de 24 graus, vento fraco e mar calmo.

O problema está nas características do local, alertam as cartas do Serviço de Hidrografia Naval da Marinha Argentina. Ali, a plataforma continental se estende por uma longa distância desde o litoral na profundidade variável de 200 a 230 metros. Subitamente, começa a cair como em um declive em níveis – para 2 mil metros, depois 3,2 mil e, finalmente, cerca de 6 mil metros. 

O trabalho continua intenso nessa segunda fase. Nesta sexta-feira, a Rússia passou a integrar a força-tarefa que antes já contava com pessoal e recursos de 11 países, Brasil e Estados Unidos entre eles. O presidente argentino, Maurício Macri, falou diretamente com seu colega russo, Vladimir Putin, para pedir apoio. O resultado chegou voando, a bordo de um gigantesco An-124, o quarto maior cargueiro do mundo, com asas de 60 metros e capacidade para transportar até 150 toneladas. 

Dentro do “armazém”, como é chamada a seção interna da fuselagem, vieram a sonda robótica Pantera e a equipe técnica. A nave, não tripulada, tem 135 sensores e pode descer até 6 mil metros, embora a expectativa seja a de que não será necessário ultrapassar 1 mil metros. 

A Rússia acumula ampla experiência em procedimentos de salvamento e busca de naufrágios críticos. Em Moscou, o Ministério da Defesa emitiu uma nota informando que a Pantera pode entrar em operação 20 horas depois do desembarque. Ou seja, esta tarde. O An-124 é comercial e o voo fretado na rota Rússia-Argentina não sai por menos de US$ 1,2 milhão. A conta será paga pelo Kremlin.

Perto dali, militares americanos e técnicos argentinos preparam o navio norueguês de suprimentos Sophie Siem, de 2.465 toneladas e 73 metros, para receber um ou dois minissubmarinos de um tipo especial, “com desempenho compatível com a missão”, capazes de chegar aos mil metros, segundo nota do grupo de resgate. 

Foi necessário cortar e soldar uma parte da popa do Sophie Siem para dar acesso rápido aos veículos. O porta-voz da força naval argentina, Enrique Balbi, anunciou a entrada no Golfo de San George do navio ARA Puerto Argentino, equipado para realizar o mapeamento tridimensional do fundo do mar. Novo, comprado na Rússia em 2015, ele utiliza equipamentos digitais.

 

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