EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
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Cenário: Venezuela cada vez mais perto do abismo

Rapidamente. Um desabastecimento cada vez mais grave, somado a dificuldades econômicas em alta, provocam uma espiral de descontentamento social. A isso se junta a intransigência do governo e sua recusa a qualquer diálogo, forçando a oposição a radicalizar seu discurso e a fazer mobilizações de rua. Por último, nos dois últimos meses, Nicolás Maduro perdeu dois de seus mais importantes aliados regionais, Argentina e Brasil, o que aumenta sua sensação de isolamento internacional e, consequentemente, sua periculosidade.

Carlos Malamud / INFOLATAM, O Estado de S. Paulo

25 Maio 2016 | 05h00

O nervosismo nas chancelarias latino-americanas se potencializou. Ninguém sabe como um desenlace violento da crise venezuelana poderá afetar a região, mas não há dúvidas de que os efeitos serão sérios. Enquanto muitos olham para o outro lado - aquele da não ingerência nos assuntos internos de outros países -, outros (poucos, ainda) se perguntam o que fazer. A iniciativa de negociação da Unasul não produziu os efeitos desejados. 

Frente à atual posição de Maduro, decidido a impedir o referendo revogatório e contrário a qualquer medida, por mais simples que seja, proposta pela Assembleia Nacional, só uma mudança da cúpula do governo e a chegada de alguém mais propenso ao diálogo permitiria avançar minimamente na busca de uma solução. Esse raciocínio também vale para o pronunciamento radical de Luis Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que chamou Maduro de “ditadorzinho”.

Comenta-se que, com suas palavras, Almagro condenou ao fracasso qualquer possível mediação da organização que dirige. Na verdade, como se vê desde antes das eleições parlamentares de dezembro, tal possibilidade já havia sido totalmente descartada pelo radicalismo do governo bolivariano, contrário a qualquer acompanhamento imparcial das eleições e à presença da OEA na Venezuela.

Ao lado do aumento da tensão, fala-se de uma possível intervenção militar. Mas antes disso se constata a existência de divisões nas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (Fanb). Para alguns, a separação é entre os partidários de reprimir qualquer excesso de violência popular e os seguidores mais moderados do regime. É possível, porém, detectar uma terceira corrente, contrária à permanência de Maduro.

atual governo teria mais chances de prosperar se fosse respaldada por alguns dirigentes ligados ao movimento bolivariano. Uma medida desse tipo tampouco assentaria as bases de um acordo imediato entre as partes que se enfrentam. Poderia, porém, permitir, havendo vontade de todos, o início de um diálogo que servisse de base para tirar a Venezuela do estado de prostração. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

É CATEDRÁTICO DE HISTÓRIA DA AMÉRICA LATINA DA UNIVERSIDADE NACIONAL DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA, DE MADRI. PUBLICADO SOB LICENÇA DA INFOLATAM

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