Evan Vucci/AP
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Cenário: Verbas trazem alívio, mas é preciso ficar de olho nos preços

Enorme estímulo adicional leva alguns a acreditar que um boom econômico poderia empurrar os preços para cima

Ann Saphir*, Reuters

23 de janeiro de 2021 | 05h00

A proposta do presidente dos EUA, Joe Biden, de despejar US$ 1,9 trilhão em uma economia conturbada pode lançar as bases para um aumento repentino de empregos e gastos que muitos economistas dizem ser necessários para evitar danos de longo prazo de uma recessão pandêmica recorde.

Os analistas já começaram a fazer suas previsões para a economia este ano, mas ampararam seus cálculos em pacotes menores, mais na linha do estímulo de US$ 892 bilhões que foi aprovado em dezembro.

Gastar muito com a implantação de vacinas, testes e para fortalecer os governos estaduais e locais na linha de frente ajudará a acabar com a crise de saúde do país, que continua sendo a raiz da crise econômica.

O pacote proposto pelo próximo governo democrata fornece ajuda direcionada que, segundo os economistas, proporciona o impulso econômico mais eficaz, incluindo um aumento do atual benefício semanal extra para os desempregados, de US$ 300 para US$ 400. 

Também direcionaria US$ 170 bilhões para a reabertura de escolas, cujo fechamento em muitas partes do país obrigou milhões de trabalhadores, principalmente mulheres, a deixar seus empregos. E colocaria US$ 1,4 mil extras nas mãos da maioria dos americanos – dinheiro que pode ser gasto com aluguel ou comida para quem precisa, ou economizado para gastar em viagens ou jantar fora, quando a distribuição mais ampla da vacina permitir a vida cotidiana para voltar mais perto do normal.

O plano de Biden será bem-vindo no Federal Reserve (Banco Central) , onde alguns técnicos estavam preocupados com uma resposta fiscal cada vez menor à crise. Em seus últimos dias como presidente, Donald Trump se dedicou a um esforço fracassado para contestar os resultados das eleições de novembro e não se engajou extensivamente no pacote de ajuda menor que foi aprovado pouco antes do final do ano. 

Mas o enorme estímulo adicional leva alguns a acreditar que um boom econômico que pode ocorrer no final do ano poderia empurrar os preços para cima.

“Não sei se entendemos completamente todos os impactos de injetar tanto dinheiro na economia quando uma parte significativa dela ainda está reprimida pela pandemia”, sustenta Tim Duy, professor de economia da Universidade de Oregon.

 

* JORNALISTA

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