EFE/Chip Somodevilla / POOL
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Cenário: Visita tem objetivo de apressar integração e dar apoio a cubanos

Uma das metas de Obama na viagem é apressar o governo cubano a usufruir das vantagens advindas das mudanças regulatórias na legislação americana, mesmo sem ter conseguido persuadir o Congresso controlado pelos republicanos a levantar o embargo de 56 anos

Karen DeYoung / WP, O Estado de S. Paulo

18 de março de 2016 | 07h00

A primeira-família viajará domingo com o presidente Obama para Cuba. O presidente fará um discurso ao povo cubano (que, a Casa Branca espera, tenha transmissão nacional), se reunirá com dissidentes, empresários e com o presidente Raúl Castro, assistindo ainda a um jogo de beisebol entre Estados Unidos e Cuba. 

Comentando a viagem com repórteres, o vice-conselheiro de Segurança Nacional de Obama, Ben Rhodes, disse que o discurso da manhã de terça-feira será “tão importante quanto qualquer coisa que ele vem fazendo” em relação à ilha. O pronunciamento será no recém-reformado Gran Teatro Alicia Alonso, no centro de Havana. Obama abordará “a complicada história entre os dois países, deixará clara qual é sua visão do futuro das relações entre EUA e Cuba e dirá o que deseja para o povo cubano”. 

Embora Obama não se furte a discutir direitos humanos, “a diferença é que, no passado, em razão de certas políticas dos EUA, o que acabava saindo sobre o tema sugeria, aberta ou implicitamente, que os EUA estavam empenhados em mudança de regime, ou podiam ditar o rumo para Cuba”, disse Rhodes. Segundo o assessor, Obama deixará claro “que os EUA não são uma nação hostil tentando mudar o regime de Cuba e não podem ser responsabilizados pelos desafios que o país enfrenta”, mas sim que estão lá para dar apoio ao povo cubano.

Uma das metas de Obama na viagem é apressar o governo cubano a usufruir das vantagens advindas das mudanças regulatórias na legislação americana, mesmo sem ter conseguido persuadir o Congresso controlado pelos republicanos a levantar o embargo de 56 anos contra Cuba. 

Apesar das mudanças americanas – e de um fluxo constante de delegações comerciais e governamentais dos EUA a Cuba nos 15 meses desde o início da normalização de relações –, poucos acordos foram de fato assinados. Cuba se queixa da continuação do embargo e tem pouco dinheiro para adquirir produtos e tecnologia americanos, ainda que dentro da pequena oferta recentemente permitida. 

Rhodes disse que seu governo quer muito “tornar irreversível o processo de normalização” ainda no mandato de Obama. E vai propor “passos que o governo cubano pode dar para avançar na abertura de espaço para o povo cubano”. Obama estará acompanhado de três ministros, de três dezenas de congressistas e uma grande delegação comercial. Para seus críticos, o presidente está quebrando o próprio compromisso de não visitar a ilha enquanto não houvesse melhora na situação dos direitos humanos. 

“O presidente negociou um acordo com os Castros e entendo seu desejo de fazer disso a herança de seu governo”, disse o senador Robert Menendez, democrata de New Jersey. “Mas a questão fundamental da liberdade e democracia continua a pairar na atmosfera cubana.” / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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