CENÁRIOS-Possíveis repercussões dos ataques em Mumbai

Pelo menos 124 pessoas morreram nesta semana durante ataques coordenados de extremistas islâmicos em Mumbai, principal centro financeiro da Índia. Conheça algumas implicações do fato. POLÍTICA * A Índia terá eleições gerais e várias eleições estaduais no começo de 2009. Analistas prevêem que o Partido do Congresso (governista) terá maus resultados por causa dos ataques de Mumbai, que se somam a um cenário de descontentamento com o aumento de preços e a desaceleração econômica. * Após outros atentados ocorridos neste ano em cidades indianas, o partido nacionalista hindu Bharatiya Janata, o maior da oposição, acusou o governo de ser brando demais contra o terrorismo. A nova onda de ataques em Mumbai pode então beneficiar o BJ. * Também é possível que a população cerre fileiras com o governo, como acontece habitualmente em horas de crise. Uma posição firme do governo, talvez adotando medidas diplomáticas ou simbólicas contra o Paquistão, pode agradar à opinião pública. * As eleições estaduais acontecem antes da eleição geral, e servem como teste político e ensaio para alianças nacionais. Uma dessas votações aconteceu nesta semana, durante o incidente, no Estado de Madhya Pradesh. O comparecimento foi superior ao previsto, indicando que os atentados motivaram o eleitorado a se manifestar. O resultado ainda não foi divulgado. * Os ataques de Mumbai podem agravar as tensões religiosas e levar as disputas sectárias para o cenário eleitoral. Grupos radicais hindus tendem a acirrar sua oposição à minoria muçulmana. Já há relatos de atentados hindus ocorridos neste ano em retaliação a supostos ataques islâmicos. ECONOMIA * A economia já está se desacelerando, tendência que deve se ampliar com o aumento deste ano nas taxas de juros, junto com o cenário global de crise, que deve desestimular a demanda e os investimentos externos. Analistas prevêem que os atentados devem contribuir com a onda de pessimismo econômico, e podem afetar temporariamente o turismo e a confiança dos investidores. Na opinião deles, a recuperação da confiança dependerá da firmeza da resposta do governo. * O Banco Central prevê um crescimento de 7,5-8 por cento no ano fiscal que vai até março, mas muitos economistas independentes dizem que o crescimento ficará em 7 por cento, abaixo da média superior a 9 por cento nos três anos anteriores. Mas, no período abril-setembro, os investimentos estrangeiros diretos cresceram 137 por cento, atingindo 17,21 bilhões de dólares. Para o ano fiscal de 2008/09, o governo prevê investimentos de 35 bilhões de dólares. RELAÇÕES COM O PAQUISTÃO * Em 2001, a Índia culpou o Paquistão por um ataque de militantes islâmicos contra o Parlamento em Nova Délhi, quase provocando uma guerra entre os dois rivais nucleares - que já travaram três conflitos armados desde sua independência, em 1947. Desde 2004, porém, existe um clima de reaproximação, que pode ser abalado pelos atentados. * Analistas acham improvável que o novo governo civil do Paquistão tenha responsabilidade pelos atentados, como já sugeriu a Índia, mas não descartam o envolvimento de integrantes da espionagem militar paquistanesa. * O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, telefonou para o premiê indiano, Manmohan Singh, para se solidarizar e rejeitar envolvimento do seu governo. Numa medida inédita, ele aceitou enviar o seu chefe de inteligência militar para compartilhar informações com a Índia. (Compilado por Alistair Scrutton e Simon Denyer)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.