Spencer Platt/Getty Images/AFP
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Censo aponta diminuição da população branca nos EUA pela primeira vez na história

Mudança na composição étnica-racial da sociedade americana altera perfil dos condados eleitorais, tendo implicações políticas

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2021 | 17h05

A população branca dos Estados Unidos diminuiu pela primeira vez na história, de acordo com as primeiras análises sobre raça e etnia do Censo americano de 2020, divulgadas nesta quinta-feira, 12. A mudança de composição étnica na sociedade americana tem implicações diretas no cenário político do país, que passa a ter condados eleitorais mais diversos do que o registrado em 2010 e anos anteriores.

O relatório marca a primeira vez que o número absoluto de pessoas que se identificam como brancas diminuiu desde que um Censo começou a ser feito em 1790. A população branca caiu de 223,6 milhões em 2010 para 204,3 milhões em 2020, um decréscimo de 8,6%, no que especialistas dizem se tratar de um indicador de que a nação está mais diversa do que nunca.

Os novos dados mostram como a composição étnica, racial e por idade eleitoral dos bairros mudou na última década, com base na pesquisa nacional realizada de casa em casa do ano passado. São esses os dados que a maioria das legislaturas estaduais e governos locais usa para redesenhar os distritos políticos para os próximos 10 anos.

Isso indica que o condado é "muito mais multirracial e muito mais diverso étnica e racialmente do que medimos no passado", disse Nicholas Jones, diretor e conselheiro sênior de pesquisa e divulgação racial e étnica da divisão de população do Census Bureau.

O país também ultrapassou outro marco no caminho para se tornar uma sociedade sem uma etnia majoritária nas próximas décadas: pela primeira vez, a parcela de brancos foi inferior a 60% do total, caindo de 63,7% em 2010 para 57,8% em 2020.

A epidemia de opióides e as taxas de natalidade mais baixas do que o previsto entre os millennials após a Grande Recessão de 2008 aceleraram o declínio da população branca, disse William Frey, demógrafo da Brookings Institution.

"Vinte anos atrás, se você dissesse às pessoas que esse seria o cenário, elas não acreditariam em você", disse ele sobre o declínio. "O país está mudando profundamente."

O número de pessoas que se identificam como multirraciais mudou consideravelmente desde 2010. Na época, 9 milhões de pessoas se declaravam assim. Agora, já são 33,8 milhões, um aumento de 276%.

Em abril, os totais das populações estaduais do Censo de 2020 mostraram que o país cresceu apenas 7,4% na última década, mais lentamente do que em qualquer década, exceto a de 1930 - na esteira do crash da Bolsa de Valores em 1929. As regiões com maior crescimento foram o Oeste e o Sul, que viram um fluxo de pessoas se mudando de outros países e outros Estados.

Os maiores e mais constantes crescimentos foram entre hispânicos, que dobraram sua parcela da população nas últimas três décadas para 62,1 milhões de pessoas, ou 18,7% em 2020, e que se acredita serem responsáveis por metade do crescimento do país desde 2010./ W.POST

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