Censo aponta grande aumento de latinos nos EUA

Os EUA estão-se transformando rapidamente. O crescimento da população nos últimos dez anos foi de 13,2%. O número de habitantes, 281.421.906, é praticamente quatro vezes maior do que o da população americana há um século e consolida a posição do país como o terceiro mais populoso do mundo, atrás de China e Índia e na frente de Indonésia e Brasil.Em números absolutos, foram 32,7 milhões de habitantes a mais em relação à população apurada em 1990 - o que supera o recorde anterior de crescimento demográfico, de 28 milhões de pessoas, estabelecido pelo Censo de 1960, ao fim do período conhecido como baby-boom, que se seguiu à 2.ª Guerra.Esses dados são os primeiros resultados tabulados pela Agência de Recenseamento dos EUA a partir do Censo de 2000. A conclusão da tabulação de todos os questionários não deve acabar antes de 2003, mas os resultados preliminares confirmam as projeções dos especialistas: aos poucos, o país vai-se tornando mais multiétnico e menos "wasp" (termo usado para designar o americano médio, acrônimo de white, anglo-saxon and protestant, ou branco, anglo-saxão e protestante).A população latina nos EUA cresceu drasticamente em todo o país e, em Estados importantes, como a Califórnia e a Flórida, já se constitui a principal minoria - superando a dos negros. O mesmo ocorreu em relação à população asiática. No conjunto, os Estados da Costa Oeste tiveram sua maior taxa de crescimento em mais de um século e, se mantiverem esse ritmo, devem superar os Estados do Meio-Oeste como segunda região mais populosa do país já no próximo recenseamento.O Censo de 2000 apontou para alguns movimentos contrários à tendência mundial. O mais significativo crescimento populacional do século nos EUA contrasta com a redução na taxa de nascimentos verificada em quase todos os outros países desenvolvidos. Outra contradição americana em relação aos outros países é o aumento do movimento migratório dos grandes centros urbanos em direção a áreas não metropolitanas.Mas esse fenômeno pode ser explicado por uma distorção estatística. "Muito do crescimento das áreas não metropolitanas na última década se deve justamente ao adensamento ainda maior das áreas metropolitanas próximas, que acabam influenciando e mudando as características dos pequenos condados", declarou ao jornal The New York Times o demógrafo-chefe do Departamento de Agricultura, Calvin L. Beale.O fenômeno demográfico, conhecido como conurbação, é o mesmo previsto por geógrafos brasileiros para a região do Vale do Paraíba, que deve crescer num ritmo incomum nas próximas décadas, acompanhando o aumento populacional das duas megalópoles de sua vizinhança, São Paulo e Rio.

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