Censura de Liga Árabe e rei saudita isola Assad

Arábia Saudita convoca embaixador e aumenta pressão regional contra regime

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE/ NOVA YORK - O isolamento internacional do regime de Bashar Assad cresceu no fim de semana com pedidos da Liga Árabe, do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), da ONU para que o regime sírio suspenda imediatamente a violência contra os opositores. A Arábia Saudita, uma das potências regionais do Oriente Médio, retirou seu embaixador de Damasco.

 

 

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O rei saudita, Abdullah II, fez um discurso no qual classificou a repressão contra manifestantes como inaceitável e anunciou a convocação de seu embaixador em Damasco para explicações. "O que está acontecendo na Síria é inaceitável para a Arábia Saudita", afirmou o rei em comunicado lido na TV Al-Arabiya. "A Síria deve pensar com sabedoria antes que seja tarde e promover reformas que não sejam apenas promessas, mas reformas de fato."

Em sua primeira declaração pública contra o regime sírio, o grupo que reúne as nações árabes, incluindo a Síria, disse que a violência contra a oposição deve acabar imediatamente. Segundo o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, ainda há chance para o cumprimento das reformas que o presidente Bashar Assad prometeu. Ele também pediu o estabelecimento de um diálogo com a oposição e a criação de um grupo independente para investigar a violência no país.

No dia anterior, o CCG, composto pelos países árabes da região da Península Arábica, também condenou Assad. O regime sírio "precisa parar imediatamente com o derramamento de sangue e usar a sabedoria para introduzir reformas sérias e necessárias para proteger os direitos e a dignidade de seu povo e de suas aspirações". Jornais árabes de países desse bloco econômico, como a Arábia Saudita e Emirados Árabes, também criticaram as ações do governo sírio.

Antes das nações árabes, outros aliados de Assad até meses atrás, como a Turquia e a própria Rússia, o haviam advertido que os ataques contra os opositores não podem continuar. Praticamente apenas o Irã, Cuba, Venezuela e outros poucos países continuam evitando criticar o regime sírio.

Reação. O regime de Damasco reagiu com dureza às declarações. A agência de notícias estatal Sana afirmou que o "CCG ignorou os fatos apresentados pelo governo sírio, como a sabotagem de grupos terroristas e armados que afetam a nossa soberania". Os sírios não integram esse bloco. Sobre a posição da Liga Árabe, Damasco não se manifestou. Mas autoridades do regime também atacaram a Turquia por suas críticas recentes às ações do governo sírio.

A ONU se posicionou mais uma vez contra os acontecimentos em Hama e outras cidades sírias. "O presidente Assad perdeu completamente o senso de humanidade", disse um porta-voz do secretário-geral da entidade, Ban Ki-Moon. "A violência precisa parar imediatamente." COM REUTERS

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