Kerem Yucel/AFP
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'Você mudou o mundo', diz veterano ativista Al Sharpton em funeral de George Floyd

Despedida foi acompanhada por centenas de pessoas, entre elas familiares, políticos e ativistas

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2020 | 17h00

MINNEAPOLIS - Centenas de pessoas em Minneapolis se despediram nesta quinta-feira, 4, de George Floyd, o homem negro cuja morte sob custódia policial desencadeou uma onda de protestos em todo o país e um debate sobre raça e justiça.

Encarregado da cerimônia, o reverendo veterano ativista de direitos civis Al Sharpton afirmou que Floyd "não morreu de uma doença comum, mas de um mau funcionamento do sistema de justiça criminal dos Estados Unidos".

 "O que aconteceu com Floyd acontece todos os dias neste país", disse Sharpton. "É hora de nos levantarmos e, em nome de George, digamos: tire esse joelho do meu pescoço", acrescentou, recebendo uma ovação de pé. "Você mudou o mundo, George", disse o reverendo, após afirmar que o homicídio de Floyd provocou indignação sem precedentes desde o assassinato do ativista negro Martin Luther King Jr. em 1968.

A cerimônia, com música e fortemente marcada pelas restrições do coronavírus, misturou testemunhos íntimos da família com a presença de ativistas como o Rev. Jesse Jackson e políticos como a senadora Amy Klobuchar e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey. 

"Todo mundo quer justiça, nós queremos justiça para George, ele vai conseguir", disse Philonise Floyd, um dos irmãos de Floyd. "É louco, todas essas pessoas vieram ver meu irmão, é incrível que ele tenha tocado tantos corações", disse, vestindo um terno escuro e um crachá com uma foto de George e as palavras "Não consigo respirar" na lapela.

A morte de Floyd em maio se tornou o mais recente caso de brutalidade policial contra os afro-americanos, levando a questão da raça ao topo da agenda política cinco meses antes da eleição presidencial dos EUA, que deve acontecer em 3 de novembro.

Derek Chauvin, 44, foi demitido e acusado de assassinato em segundo grau depois de ter sido filmado ajoelhado no pescoço de Floyd por quase nove minutos, enquanto a vítima ofegava e alertava que não conseguia respirar.

A polícia diz suspeitar de que Floyd, 46, usou uma nota falsa para comprar cigarros.

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O caso George Floyd

Homem negro de 46 anos foi morto por policial branco durante abordagem; desencadeados pelo assassinato, protestos contra o racismo e a violência policial eclodiram nos EUA e no mundo

Multidões desafiam o toque de recolher e tomam as ruas das cidades de todo o país por nove noites em protestos às vezes violentos que levaram o presidente Donald Trump a ameaçar usar força militar.

"Será necessário um esforço conjunto dentro e fora da sala para obter justiça para George Floyd", Ben Crump, advogado da família Floyd, disse no funeral.

Os promotores levantaram novas acusações contra quatro ex-policiais de Minneapolis implicados no assassinato na quarta-feira.

Homenagem no Senado

Os senadores democratas fizeram nesta quinta-feira, 4, um momento de silêncio com duração de oito minutos e 46 segundos, a quantidade de tempo que George Floyd ficou imobilizado sob Derek Chauvin.  

O momento também foi para homenagear Ahmaud Arbery, um jovem negro de 25 anos morto em uma rua suburbana de Brunswick, na Geórgia, e Breonna Taylor, uma médica negra de 26 anos que foi baleada pela polícia em sua casa em Louisville, Kentucky.

De pé ao lado de uma estátua de Frederick Douglass no Capitólio, o grupo parecia se reunir pela primeira vez após o início da pandemia.

Vários senadores - Tim Kaine, da Virgínia, Martin Heinrich, do Novo México, Chris Van Hollen, de Maryland, Michael Bennet, do Colorado, e Sherrod Brown, de Ohio - ajoelharam-se no chão de mármore durante o momento de silêncio.

 "Este é um momento muito doloroso", disse o senador Cory Booker. Ele fez uma pequena homenagem a Floyd e chamou o cenário de apropriado para o momento. "Eu fiquei lá em silêncio, olhando para baixo, e na minha visão estavam as palavras 'Se não há luta, não há progresso''", disse Booker, referindo-se a uma citação do discurso de emancipação de Douglass na Índia Ocidental. "Foi muito profundo para mim."/REUTERS e NYT

 

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