Centenas de ativistas do Fatah protestam contra o Hamas

Cerca de 200 ativistas, entre membros da Fatah e funcionários da Autoridade Nacional Palestina (ANP), protestaram hoje diante da sede do Parlamento palestino em Ramallah pela demissão do secretário-geral da Casa. Os manifestantes cantavam slogans contra o Hamas e acusavam esse movimento de ter intenção de "limpar" a ANP de ativistas da Fatah através da demissão de milhares de funcionários.O novo presidente do Parlamento, Aziz Dueik, decidiu, na última terça-feira, demitir o secretário-geral da câmara legislativa, Ibrahim Jereishe.Fontes palestinas informaram que Dueik chegou ao Parlamento acompanhado por cerca de 10 homens armados e informou a Jereishe sobre sua demissão. "A atitude de Dueik não é adequada para um funcionário desse nível", disse Jereishe hoje em declarações à rádio A Voz da Palestina.Durante os últimos dias, registrou-se um aumento da tensão entre a Fatah e o Hamas devido à decisão do movimento islâmico de suspender uma série de nomeações aprovadas pelo Parlamento palestino anterior, dominado pela Fatah, em sua última sessão.O Hamas afirmou que as nomeações foram suspensas até que se comprove a legalidade de sua aprovação. "Achamos que o ex-presidente do Parlamento palestino tomou decisões ilegais, mas caso se demonstre o contrário as aprovaremos", indicou o porta-voz do grupo parlamentar do Hamas, Salah Bardauil.Por sua parte, o chefe do grupo parlamentar da Fatah, Azzam al-Ahmed, disse que a decisão de Dueik é um mal começo. "Dueik se impôs no Parlamento como um ditador, o que rejeitamos", acrescentou.IsraelEnquanto isso, o primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert, disse hoje perante a comissão parlamentar de Exteriores e Segurança do país, que não se arrepende de ter permitido a realização das eleições palestinas.Quanto à participação do Hamas, Olmert afirmou que Israel não podia impedi-la e que não considera que o Hamas constitua uma ameaça estratégica para Israel, que continuará a lidar com os palestinos através de ações diplomáticas e não militares.Olmert afirmou também ter a intenção de permitir que palestinos possam entrar em Israel para trabalhar. A proibição da entrada a Israel de operários palestinos era outra das medidas punitivas que o governo israelense estudava em resposta à tomada de poder do Hamas.No último domingo, o Governo israelense decidiu paralisar a transferência mensal de dinheiro que arrecada como agente de retenção de impostos da ANP, para que esses recursos não caíssem nas mãos do Hamas.Por sua parte, o ministro das Finanças palestino, Mazen Sunukrut, negou que a ANP poderia deixar de pagar, neste mês, os salários de seus funcionários, e indicou que estes pagamentos serão feitos nos próximas dias, mas confirmou que a ANP atravessa uma crise financeira, com um déficit de cerca de US$ 700 milhões.

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