Centenas de manifestantes são detidos após enfrentar polícia na Argélia

Protesto contrário ao presidente desafiou estado de emergência em vigor há quase 20 anos.

BBC Brasil, BBC

12 de fevereiro de 2011 | 12h48

Policial à paisana domina manifestante durante confronto em Argel

A polícia da Argélia entrou em confronto com manifestantes que protestavam contra o governo neste sábado na praça central da capital, Argel, desafiando o estado de emergência que está em vigor no país há quase 20 anos. Centenas de pessoas foram detidas e levadas do local.

Segundo a correspondente da BBC em Argel Chloe Arnold, apenas algumas dezenas de jovens ativistas sobraram na praça Primeiro de Maio, no centro da capital.

Arnold afirma que helicópteros estão sobrevoando a área central da cidade, enquanto veículos blindados e barreiras estão impedindo a passagem de ônibus com mais manifestantes. Cerca de 20 mil policiais estão trabalhando na operação.

Mais cedo, centenas de pessoas gritavam palavras de ordem contra o presidente do país, Abdelaziz Bouteflika, exigindo melhores condições de vida e maior liberdade.

Partidários de Bouteflika também se organizaram e se reuniram nas ruas de Argel.

Os recentes protestos no Cairo e na Tunísia são tidos como os eventos que inspiraram a mobilização dos argelinos contra o governo.

Na noite dessa sexta-feira, a polícia interveio quando uma multidão tomou as ruas para comemorar a saída do presidente egípcio, Hosni Mubarak.

Argel já havia registrado confrontos entre manifestantes e policiais em janeiro deste ano, em meio a protestos contra o desemprego, os preços dos alimentos e as más condições de moradia.

Os protestos populares são proibidos na Argélia devido a um estado de emergência que dura desde a guerra civil de 1992. No início de fevereiro, o presidente afirmou que esta situação seria suspensa "em um futuro muito próximo".

Bouteflika fez a declaração em uma reunião com ministros, segundo a mídia estatal. Ele afirmou que os protestos seriam tolerados em qualquer parte do país, menos na capital.

Repressão

Segundo a correspondente da BBC em Argel Chloe Arnold, a situação na Argélia é semelhante à de outros países árabes, como o Egito. Bouteflika, 73 anos, está na Presidência desde 1999 e é acusado por muitos de se manter no poder por meio de um regime repressivo.

Além disto, segundo Arnold, uma grande quantidade de cidadãos abaixo dos 30 anos está sem emprego e enfrentando problemas sérios de habitação.

A corrupção disseminada no governo e a baixíssima qualidade dos serviços públicos também aumentam a insatisfação dos argelinos.

Nos anos 1990, a política na Argélia foi dominada por uma luta entre os militares e grupos muçulmanos. Em 1992, uma eleição geral vencida por um partido islâmico foi anulada, levando a uma sangrenta guerra civil que deixou mais de 150 mil mortos.

A correspondente da BBC acredita que a lembrança deste conflito, em que pessoas eram decapitadas em plena luz do dia, pode "diminuir o apetite dos argelinos por um levante político".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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