Centenas de mexicanos fecham aeroporto de Acapulco em protesto

Centenas de mexicanos fecham aeroporto de Acapulco em protesto

Mexicanos interditaram principais entradas e saídas; procurador-geral diz que há pouca chance de identificar corpos encontrados 

O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2014 | 17h25



ACAPULCO - Centenas de estudantes, professores e parentes dos 43 jovens desaparecidos desde setembro em Iguala invadiram nesta segunda-feira, 10, o aeroporto do balneário mexicano de Acapulco e fecharam as principais entradas por cerca de três horas.

Os manifestantes entraram no terminal aéreo e escreveram mensagens nas paredes como "todos somos Ayotzinapa" e "(Enrique) Peña Nieto assassino", se referindo ao presidente mexicano, que está na China em visita oficial.

Em uma das piores tragédias no contexto de violência que o México vive há anos, 43 alunos de uma escola de magistério rural foram detidos no dia 26 de setembro por policiais em Iguala, no Estado de Guerrero, sul do México, e entregues ao cartel de drogas Guerreros Unidos.

Os 43 estudantes têm o status legal de desaparecidos até que se conheça o resultado dos testes realizados nos restos encontrados a partir das declarações de três presos que admitiram ter participado do crime. Os detidos disseram que os estudantes foram assassinados e carbonizados em uma grande fogueira, os restos foram triturados e parte deles foi atirada em um rio próximo.

As revelações intensificaram protestos em todo o país, fomentados pelo próprio procurador, quando, na sua conferência de imprensa, disse: "Eu cansei" de responder às perguntas. A frase se tornou um slogan das manifestações e nas mídias sociais para resumir a violência que assola o México.

No total, 74 pessoas foram presas por relação com o caso.

Identificação. O procurador-geral mexicano, Jesús Murillo Karam, disse que um laboratório especializado na Áustria que analisou os restos mortais por meio de de videoconferência afirmou que apenas duas partes têm possibilidades de serem identificadas, mas não é possível dar certeza em razão do grau de carbonização dos restos.

Segundo Murillo, a fogueira em que foram queimados os corpos tinha 1.600°C. "Não nos disseram que seria possível (identificá-los), disseram que havia uma possibilidade”, explicou.

No caso de o laboratório, pertencente à Universidade de Innsbruck, conseguir recuperar o DNA das duas partes, elas teriam que ser enviadas a outro laboratório na Espanha. /EFE e REUTERS

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