Centenas de milhares celebram fim de governo apoiado pelos EUA

Centenas de milhares de iranianosparticiparam neste domingo de uma manifestação condenando ascríticas do presidente dos Estados Unidos a seu país ecelebrando o 23.º aniversário da Revolução Islâmica. Revoltados com a afirmação de George W. Bush de que o Irã fazparte de um "eixo do mal", homens, mulheres e crianças lotarama Praça da Liberdade, em Teerã, portando faixas anti-EUA equeimando bonecos representando o Tio Sam. O presidente Mohammad Khatami disse aos participantes que aimensa multidão era a resposta aos "insultos e acusaçõesforjadas dos EUA" contra o Irã. "Este ano, apesar dos insultos à grande nação iraniana e dasacusações forjadas contra ela, a nação iraniana comemora oaniversário de sua revolta numa escala maior do que nunca",disse Khatami. A televisão estatal divulgou que milhões de outras pessoasparticiparam em manifestações semelhantes em todas grandescidades do país. Numa discurso interrompido repetidamente por gritos de "Morteà América!", Khatami afirmou que os Estados Unidos deveriamentender a mensagem da revolução iraniana: independência,liberdade e uma República Islâmica. Alguns manifestantes vestiam mantos brancos, simbolizando suadisposição de morrer por sua causa. Khatami reconheceu que existem "muitas diferenças" entre oslíderse do Irã - uma referência à luta pelo poder entreconservadores e reformistas - mas disse que o país está unido noapoio à causa da revolução islâmica de 1979. "Não podemos esconder que existem deficiências e insatisfação mas sem dúvida a nação inteira está unida no apoio à revoluçãoe ao caminho que escolheu", afirmou. O presidente reformista sugeriu que a política externa dos EUAfoi responsável pelos ataques terroristas de 11 de setembro emNova York e Washington. "O povo americano tem todo o direito de perguntar a seuslíderes por quanto tempo ele terá de pagar o preço de políticasincorretas. Quais políticas e quais razões causaram os ataquesde 11 de setembro?" perguntou. Um dos participantes da manifestação, o chefe da GuardaRevolucionária, general Rahim Safavi, disse à tevê estatal: "Asmanifestações de hoje são a maior dissuasão às ameaças dos EUA.O povo mostrou que permanece fiel aos objetivos da revolução". As ruas estavam cobertas de cartazes coloridos e de balõesvermelhos, brancos e verdes, as cores da bandeira iraniana.Helicópteros jogaram flores vermelhas sobre a multidão. Cartazes tinham escritas em farsi e inglês frases como "Aindaseguimos os ideais da revolução islâmica" e "A América nãopode fazer mal algum", uma expressão favorita do aiatoláRuhollah Khomeini, o já falecido líder espiritual da revolução. O presidente George W. Bush disse em seu discurso sobre oEstado da Nação no mês passado que o Irã, junto com o Iraque e aCoréia do Norte, fazia parte de um "eixo do mal", porquebuscava armas de destruição em massa. O Irã rejeita a acusação. Bush também afirmou que o Irã "exporta o terror, enquanto unspoucos não eleitos reprimem a esperança de liberdade do povoiraniano". Um cartaz na manifestação de hoje declarava em inglês: "Bushé um Drácula". No início da guerra contra o terrorismo dos EUA, autoridadesamericanas falavam de uma melhor cooperação com o Irã, depois deo país ter tacitamente aprovado a campanha para derrubar osgovernantes talebans do Afeganistão. Mas recentemente oficiaisdos EUA acusaram Teerã de tentar minar o novo governo afegão econtrabandear armas para os palestinos. O Irã nega asacusações. A manifestação de hoje marcou o último dia de celebração deaniversário da revolução de 1979, que derrubou do poder o xáMohammed Reza Pahlavi, apoiado pelos EUA.

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