Centenas de milhares de sírios protestam em Hama

Centenas de milhares de sírios levando galhos de oliveira e pedindo aos gritos a queda do regime do presidente Bashar al-Assad se dirigiram hoje para a cidade de Hama. Embaixadores dos Estados Unidos e da França viajaram para a cidade, numa forte demonstração de apoio aos manifestantes.

AE, Agência Estado

08 de julho de 2011 | 15h44

Grandes manifestações também foram realizadas em cidades em todo o país, o que resultou numa repressão que matou pelo menos 13 pessoas e deixou mais de 40 feridas, informaram ativistas. Mas o protesto em Hama foi de longe o maior e o mais observado.

Duas testemunhas disseram que a multidão aumentava na cidade, que se tornou um ponto central do levante e tem atraído o maior número de pessoas desde que os protestos tiveram início, quase quatro meses atrás. "As pessoas estão gritando: ''nós só nos ajoelhamos para Deus''", afirmou uma das testemunhas à AP, por telefone. O som da multidão podia ser ouvido ao fundo. Ele pediu anonimato, temendo por sua segurança pessoal.

Outro ativista estimou que a manifestação foi ainda maior do que a da sexta-feira da semana passada, quando cerca de 300 mil pessoas protestaram. "Não houve violência. Contanto que as forças de segurança não apareçam, não temos violência", disse ele, que também pediu anonimato.

Hamas representa um dilema para o regime sírio por causa de seu lugar como símbolo da oposição contrária à família Assad. Em 1982, o pai do atual presidente, Hafez Assad, enviou tropas para esmagar um rebelião de forças islamitas, ação que resultou na morte de algo entre 10 mil e 250 mil pessoas, segundo ativistas dos direitos humanos. Uma grande ofensiva poderia transformar a cidade num grito de guerra para a oposição. Ao mesmo tempo, o governo não quer ver a repetição dos protestos da última sexta-feira.

Os embaixadores da França e dos Estados Unidos viajaram para Hama ontem e deixaram a cidade hoje, antes do início dos protestos, segundo funcionários em Washington e Paris. A viagem do embaixador norte-americano Robert Ford foi alvo de fortes críticas da parte do governo sírio, que disse que a visita não foi autorizada e sinalizou que Washington estava incitando o levante no país árabe.

O relacionamento entre Estados Unidos e Síria está tenso em razão das ligações de Assad com o Irã. "A presença dos embaixador norte-americano em Hama, sem permissão prévia do Ministério de Relações Exteriores, como exigido pelas instruções distribuídas repetidamente a todas as embaixadas, é uma clara evidência do envolvimento do governo dos Estados Unidos no eventos em curso na Síria", informou a agência de notícias estatal, citando uma "fonte oficial" não identificada no Ministério de Relações Exteriores.

Os Estados Unidos estão tentando "agravar a situação que desestabiliza a Síria", diz o comunicado. Ontem, em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado Victoria Nuland disse que o embaixador Ford "passou o dia expressando seu profundo apoio ao direito do povo sírio de se reunir pacificamente e se expressar".

O governo sírio não comentou a visita do embaixador francês Eric Chevallier a Hama.

Comunicado do Ministério de Relações Exteriores da França diz que a visita de Chevallier mostra "a preocupação da França com a população síria". "A França condena o uso da violência e de prisões arbitrárias". As informações são da Associated Press.

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