Vivek Prakash/EFE/EPA
Vivek Prakash/EFE/EPA

Centenas de milhares participam de 11º fim de semana de manifestações em Hong Kong

Organização fala em 1,5 milhão de presentes, recorde; protestos contra a violência policial e autoritarismo chinês ocorrem semanalmente desde junho

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2019 | 19h28

Centenas de milhares de pessoas foram às ruas de Hong Kong neste domingo, 18, em meio à forte chuva e à ameaça de intervenção da China, no décimo primeiro final de semana seguido de manifestações.

O protesto deste domingo pode ser o maior até o momento. A organização do ato afirma que 1,5 milhão estiveram presentes na manifestação no Victoria Park. Já as autotidades falam em 128 mil manifestantes. O número oficial, porém, não contabiliza os manifestantes ao redor da praça.

A população desafiou a proibição de sair do Victoria Park e marchou para o distrito do Almirantado. No início da noite, centenas de protestantes encapuzados cercaram a sede do governo, cantando "Vamos tomar Hong Kong, a revolução do nosso tempo". Tropas chinesas chegaram a se posicionar ao redor de Hong Kong.

 

​Acusações de terrorismo 

O governo chinês alega que a onda de manifestações é "quase terrorista". Nas últimas semanas, os protestos foram marcados pelos confrontos entre a população e a polícia.  

Os atos começaram em junho em protesto a um projeto de lei que autoriza as extradições para a China.  Sem conquistar grandes avanços junto a Carrie Lam, chefe do Executivo local, os manifestantes fecharam por cinco dias o aeroporto de Hong Kong, com o cancelamento de centena de voos. A ação desencadeou uma reação da polícia, acusada de violência e abuso de autoridade.


Os guarda-chuvas, símbolo das manifestações, são usados para se proteger das tempestades tropicais e também das bombas de gás lacrimogêneo que são lançadas pela polícia. Parte dos manifestantes passou a reagir com pedras e coquetéis Molotov. 

O governo chinês enviou soldados e veículos blindados para a fronteira com Hong Kong, alegando resposta a atos de violência. A propaganda do regime também divulga imagens dos conflitos para desmoralizar os protestos. A estratégia funcionou: enquanto professores se uniram aos estudantes de Hong Kong nas manifestações contra o governo chinês neste sábado, 17, milhares de apoiadores do regime se reuniram em defesa da polícia local.

Para acabar com as acusações de terrorismo que surgiram em Pequim, a Frente de Direitos Civis (FCHR) convocou uma manifestação "não violenta" para este domingo.

 

Repercussão internacional dos protestos em Hong Kong

As atenções internacionais, já voltadas à China devido à guerra comercial com os Estados Unidos, estão maximizadas com os confrontos em Hong Kong. De acordo com o Broadcast/Estadão durante uma entrevista coletiva neste domingo, Donald Trump voltou a afirmar que o presidente da China, Xi Jingping, tem capacidade para resolver "o problema de Hong Kong".  Trump, porém, ponderou que será "mais difícil" fazer um acordo comercial em caso de ação violenta sobre os manifestantes.

Enquanto isso, cerca de 500 manifestantes se reuniram neste domingo em um parque em Manhattan e marcharam ao longo de uma ponte com cartazes de apoio aos protestos asiáticos. Os participantes, vestindo camisetas pretas, pediam "Liberdade para Hong Kong".

O protesto foi convocado por Alvin Yeung, membro do Poder Legislativo de Hong Kong que estava de visita à cidade. O grupo passou por por manifestantes contrários, segurando bandeiras chinesas, mas não houve registro de confronto. Segundo Yeung, manifestações de apoio estavam programadas em 40 grandes cidades em todo o mundo no fim de semana. / Com informações do Broadcast, AFP e Agência Brasil

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