Dominic Lipinski/PA via AP
Dominic Lipinski/PA via AP

Centenas de pessoas protestam em Londres em solidariedade aos indígenas brasileiros

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta semana a deliberação sobre a regra do 'marco temporal', considerado 'o processo mais importante do século' pelos indígenas brasileiros

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2021 | 10h14

Com gritos de "Fora Bolsonaro", centenas de pessoas, convocadas por várias ONGs, incluindo o grupo ecologista Extinction Rebellion, protestaram nesta quarta-feira, 25, diante da embaixada do Brasil em Londres para expressar solidariedade com aos indígenas brasileiros.

"Parem o genocídio no Brasil agora!", "Luta pela vida" e "Não à armadilha do marco temporal", afirmavam os cartazes, em referência a uma nova legislação que pretende adotar o critério temporário para a demarcação das terras indígenas, reconhecendo como terras ancestrais apenas aquelas que foram ocupadas por eles quando a Constituição de 1988 foi promulgada.

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta semana a deliberação sobre a regra do 'marco temporal', considerado 'o processo mais importante do século' pelos indígenas brasileiros. Na segunda-feira (23), frupos indígenas iniciaram uma semana de mobilizações em Brasília para pressionar congressistas e juízes.

"Estamos aqui em solidariedade com o movimento indígena em Brasília", declarou à AFP Sarah Shenker, de 35 anos, ativista do grupo Survival International, enquanto um grupo tocava samba.

"O 'marco temporal' é uma proposta genocida estimulada pelo governo e pelo agronegócio para expulsar os indígenas de suas terras", denunciou, antes de afirmar que "eles são os melhores guardiães da natureza, protegem 80% da biodiversidade do mundo e, sem sua terra, não sobreviverão".

"Também é uma questão climática: a Amazônia está sendo destruída para produzir os alimentos que comemos no Ocidente", afirmou Graham Gordon, de 47 anos, membro do grupo católico CAFOD.

Atrás de uma grande faixa com a frase "Protejam a Amazônia", dezenas de manifestantes bloquearam a rua diante da embaixada, perto da Trafalgar Square, sob os aplausos dos ativistas e as buzinas dos motoristas.

"O que nós queremos? Justiça climática! Quando queremos? Agora!", gritaram, um dos slogans mais conhecidos do grupo Extinction Rebellion (XR), que convocou o protesto ao lado de ONGs como Greenpeace, WWF, Survival e CAFOD.

Após cinco minutos, um grande dispositivo policial foi mobilizado diante da embaixada e dispersou o bloqueio, permitindo a continuidade do protesto na calçada.

Estacionadas a algumas ruas de distância, seis viaturas cheias de policiais aguardavam, à espera da evolução dos acontecimentos.

Movimento de desobediência civil criado em 2018 no Reino Unido e que chegou a muitos países, o XR iniciou na segunda-feira duas semanas de grandes protestos contra a inércia dos governos e das grandes empresas diante da mudança climática.

Nos últimos anos, o grupo bloqueou diversas vezes o trânsito em partes de Londres e impediu o acesso às sedes de grandes empresas. Centenas de detenções e muitos processos por suas ações de desobediência civil foram registrados desde então. / AFP

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