Centenas de policiais ocupam ruas de Mianmar

Oficiais cercam templos ao fim de "quaresma budista" para prevenir novas manifestações contra o regime militar

Efe e Reuters,

26 de outubro de 2007 | 06h16

Policiais armados cercaram na sexta-feira importantes templos budistas de Rangun, principal cidade de Mianmar, ao final do período anual de recolhimento monástico, com o objetivo de evitar a retomada dos protestos pró-democracia do mês passado, os maiores em 20 anos, liderados por monges.   Na quinta-feira, as autoridades militares admitiram uma ampla operação policial para capturar monges budistas "falsos" ligados à organização das manifestações.   Segundo a rádio Mizzina, a presença de policiais com fuzis é marcante em todos os acessos aos pagodes de Sule e Shwedagon. Os dois foram os pontos de concentração das centenas de milhares de pessoas que participaram dos protestos antigovernamentais liderados pelos monges.   Em trechos da parte antiga de Rangun, a polícia armou barricadas. Membros da milícia da Associação para o Desenvolvimento e a Solidariedade da União de Mianmar patrulham as ruas, armados com varas.   O regime admite que 10 pessoas morreram durante a repressão dos protestos e 3 mil manifestantes foram detidos. Mas o enviado da ONU para Mianmar, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, acredita que o total é muito superior. Fontes da dissidência calculam 200 mortos e 6 mil detidos.   Tentativa de díalogo   Os jornais oficiais também deram mais detalhes sobre a reunião de quinta-feira entre a líder oposicionista Aung San Suu Kyi e o vice-ministro Aung Kyi, um general da reserva nomeado como intermediário após uma visita do representante especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Ibrahim Gambari.   O jornal A Nova Luz de Mianmar, principal porta-voz do regime, disse que a reunião numa casa de hóspedes do governo durou 75 minutos. Uma foto mostrava a dupla sentada frente a frente diante de uma mesa. Aung Kyi sorria, enquanto Suu Kyi, que passou 12 dos últimos 18 anos presa, tinha o olhar perdido.

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