Centrais argentinas convocam greve geral; governo nega renúncia

A Confederação de Trabalhadores Argentinos (CTA) convocou uma greve geral para esta quinta-feira como reação à grave crise social e institucional que sacode a Argentina. A paralisação deve contar com apoio amplo dos servidores públicos. O governo federal garantiu que não se cogita a renúncia ou troca de ministros.Em rede nacional na noite desta quarta-feira, o presidente argentino, Fernando de la Rúa, voltou a acusar opositores políticos pela onda de violência e conclamou o país a unir-se para enfrentar a crise. De la Rúa também rechaçou as pressões para que demita o ministro da Economia, Domingo Cavallo.Na noite desta quarta-feira, o porta-voz do governo, Juan Pablo Baylac, disse que, por enquanto, o ministro permanecerá em seu cargo. ?Nestas horas não se fala na renúncia de Cavallo?, disse Baylac, em entrevista coletiva.As declarações de Baylac foram feitas após um dia conturbado, em que proliferaram os boatos da queda do ministro da Economia. Nesta quarta-feira, o Congresso retirou os poderes especiais que lhe havia outorgado em março último, quando Cavallo assumiu o posto.GruposEm seu discurso à nação, De la Rúa qualificou de ?grupos inimigos da República? os que, segundo ele, instigaram os saques e distúrbios nesta quarta-feira em todo o país. A acusação soou como resposta às pesadas críticas à decretação do estado de sítio, que confere ao presidente poderes ditatoriais e suspende direitos constitucionais dos argentinos.?Conclamo os que estão exercendo a violência a cessar com seus atos. No uso de minhas atribuições, declarei o estado de sítio em todo o território para assegurar a lei e a ordem e acabar com os incidentes?, afirmou o presidente.De la Rúa chamou os argentinos ?a entrar em acordo sobre as decisões que a hora exige para afrontar uma emergência social?, embora advertindo que "entre os necessitados há também delinqüentes, que se aproveitaram da desordem para criar o caos.?Esses grupos, segundo De la Rúa, pretendem ?semear a discórdia e a violência para criar um caos que lhes permita manobrar para alcançar o que não conseguiram por via eleitoral?.Leia o especial

Agencia Estado,

20 de dezembro de 2001 | 01h05

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