Centrais pedem maior controle da comunicação

Na linha contrária à da SIP, a Conferência Sindical Democratização da Comunicação nas Américas, realizada na semana passada em Montevidéu, no Uruguai, propôs maior intervenção do Estado na área da comunicação. Segundo os representantes sindicais que participaram do encontro, os governos devem promover a democratização no setor e incentivar veículos mantidos por comunidades populares, sindicatos e movimentos sociais.

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2010 | 00h00

A conferência foi organizada pela Confederação Sindical de Trabalhadores das Américas e contou com a participação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior organização sindical brasileira, vinculada ao PT. Durante os debates, a secretária nacional de comunicação da CUT, Rosane Bertotti, chamou a atenção para a necessidade de se estabelecer marcos regulatórios para o setor.

Esse tema acabou aparecendo no documento final da conferência. De acordo com o texto, o Estado deve intervir para "garantir a diversidade e o pluralismo, com marcos regulatórios que assegurem igualdade de oportunidades no acesso aos meios", assim como "rechaçar e impedir a formação de monopólios e oligopólios na propriedade e controle dos meios de comunicação".

A maior ameaça à liberdade de expressão, segundo o texto, são os interesses de grandes corporações do setor, que "só veem os meios de comunicação como instrumentos de obtenção de renda e de influência na tomada de decisões do poder".

Uma das formas de se opor a essa ameaça, segundo os sindicalistas participantes da conferência, é "resgatar a importância dos meios públicos de comunicação".

Ao final do encontro, a Confederação Sindical anunciou sua intenção de criar uma rede sindical de informação no continente. Além de informar, ela deverá ter a tarefa de "estimular mudanças e a promoção dos direitos da classe trabalhadora".

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