REUTERS/Kim Kyunghoon
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Favorito, Moon Jae-In vence a eleição presidencial na Coreia do Sul

Candidato de centro-esquerda teve 40,2% dos votos enquanto que seus adversários, o conservador Hong Joon-pyo e o centrista Ahn Cheol-soo tiveram pouco mais de 20% cada; resultado permitirá nova abordagem com Pyongyang

O Estado de S.Paulo

09 Maio 2017 | 12h41
Atualizado 09 Maio 2017 | 16h38

SEUL - Moon Jae-In, veterano da luta pelos direitos humanos e favorável a uma aproximação com a Coreia do Norte, venceu nesta terça-feira, 9, com folga a eleição presidencial na Coreia do Sul. A vitória acaba com quase uma década de governos conservadores e inicia uma nova abordagem com relação a Pyongyang.

Moon, grande favorito nas pesquisas e candidato do Partido Democrático, de centro-esquerda, obteve 40,2% dos votos, de acordo com a comissão nacional eleitoral. O conservador Hong Joon-Pyo ficou muito atrás, com 23,3% dos votos, seguido pelo centrista Ahn Cheol-Soo (21,8%). 

O resultado foi "uma grande vitória de um grande povo" que deseja criar "um país justo onde as normas e o senso comum prevaleçam", disse Moon ao saudar seus simpatizantes na praça Gwanghwamun de Seul, onde uma multidão de pessoas se reuniu durante meses, à luz de velas, para exigir a renúncia de Park.

Diante das consequências do escândalo de corrupção que abalou o país, Moon prometeu que será "o presidente de todos os sul-coreanos". Na praça, a trabalhadora autônoma Koh Eun-Byul, de 28 anos, disse que estava feliz "porque agora há esperança de uma mudança significativa" no país.

As eleições aconteceram em um clima político marcado pelo escândalo de corrupção que resultou no impeachment da presidente Park e pela tensão com a Coreia do Norte.

Poucas horas antes do fim da votação, 63,7% dos eleitores já haviam comparecido às urnas, contra 59,3% do último pleito no mesmo horário, um aumento significativo e aguardado após diversos protestos em que milhões de pessoas exigiram a saída de Park. 

No epicentro da crise está a relação da presidente destituída com sua amiga Choi Soon-sil, acusada de se aproveitar de suas relações para obter dezenas de milhões de dólares de grandes empresas sul-coreanas.

O escândalo de corrupção, que atingiu até mesmo a Samsung, catalisou as frustrações da população a respeito das desigualdades sociais, da economia e do desemprego. A crise obrigou todos os candidatos a prometerem reformas para uma integridade maior no país.

Moon Jae-in liderou as pesquisas para a presidência sul-coreana durante todo o período de campanha eleitoral. Seu principal rival, o conservador Hong Joon-Pyo, esteve sempre atrás nas intenções de voto. "Votei por Hong porque a segurança (na questão da Coreia do Norte) é o mais importante", declarou Chung Tae-Wan, um médico de 72 anos, ao deixar a seção eleitoral na capital do país.

Desafios. A vitória de Moon, de 64 anos, representa uma alternância à frente do país após 10 anos de reinado dos conservadores. Sua eleição pode significar também uma importante mudança de política em relação a Pyongyang e Washington.

O novo presidente terá de combater a desaceleração econômica, as desigualdades, a alta do desemprego - em especial entre os jovens -, e a estagnação dos salários. De acordo com um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2016, 10% dos sul-coreanos mais ricos têm 50% da renda de toda a população. 

Além disso, o próximo ocupante da Casa Azul, a residência oficial do presidente da Coreia do Sul, terá que resolver a complicada questão com o país vizinho ao Norte. 

Em raras vezes as tensões na Península da Coreia foram tão fortes quanto agora em razão do temor provocado pelos testes nucleares e balísticos realizados por Pyongyang. Além disso, o caráter imprevisível do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaça usar a força para resolver a questão, é outro ingrediente que complica esta situação.

Moon deve propor, no entanto, o rompimento da linha dura defendida por Park ao tratar do regime norte-coreano e deve propor uma aproximação menos conflituosa com o país vizinho. 

A Casa Branca parabenizou o novo mandatário. "Esperamos trabalhar com o presidente eleito Moon para continuar fortalecendo a aliança entre Estados Unidos e a República da Coreia", disse o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, em comunicado. / AFP

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