Ben Stansall/AFP
Ben Stansall/AFP

Centrista pró-Europa é o novo líder do Partido Trabalhista britânico

Keir Starmer substituirá Jeremy Corbyn que decidiu renunciar após sua esmagadora derrota para Boris Johnson em dezembro

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2020 | 13h07

LONDRES - O centrista e pró-europeísta Keir Starmer foi designado, neste sábado 4, líder do Partido Trabalhista, principal força da oposição britânica, para suceder a Jeremy Corbyn, que decidiu renunciar após sua esmagadora derrota para Boris Johnson nas legislativas de dezembro.

"É uma honra e um privilégio ser eleito líder do Partido Trabalhista. Isso chega em um momento como nenhum outro em nossas vidas", disse Starmer, de 57 anos, em seu discurso de agradecimento, ao se referir à pandemia de coronavírus.

Além de vigiar a ação do governo frente à covid-19, o principal partido britânico de oposição deve pôr ordem em seus assuntos internos, começando por um antissemitismo muito duramente criticado por não ter sido percebido e contido a tempo.

Depois de anunciada sua indicação, Starmer pediu desculpas à comunidade judaica por esta "mancha" que prometeu erradicar.

"Arrancarei este veneno enraizado e julgarei meu sucesso em função do retorno dos membros judeus e daqueles que sentiram que não podiam mais nos apoiar", afirmou.

Desde o final de fevereiro, os cerca de 600 mil membros do partido votaram pelos correios, ou on-line, para escolher o sucessor de Corbyn, de 70 anos.

Apesar de fazer campanha com um programa muito radical de "justiça social", Corbyn sofreu em dezembro a pior derrota eleitoral de seu partido desde 1935.

Já muito antes, o partido buscava se livrar, internamente, das acusações de um antissemitismo que esse ex-sindicalista, um defensor de longa data da causa palestina, foi acusado de não frear, provocando a saída de vários deputados.

Em 2018, Corbyn reconheceu que havia um "problema real", que ele havia sido "muito lento" para impor medidas disciplinares e "restaurar a confiança" com a comunidade judaica era a prioridade.

Isso não impediu que, antes das eleições, o gran-rabino do Reino Unido e o jornal Jewish Chronicle lançassem um incomum apelo pelo boicote eleitoral contra ele.

Com 56% dos votos, Staimer derrotou as duas finalistas, ambas de 40 anos: Rebecca Long-Bailey, considerada herdeira natural de Corbyn (26%), e Lisa Nandy (18%).

Opositor ao Brexit

Advogado especializado na defesa dos direitos humanos e responsável no partido pelo Brexit, ao qual sempre se opôs, Starmer era o grande favorito desde o início da disputa.

"Nosso número de membros triplicou, duplicamos o número de deputados socialistas, e nosso partido transborda de ideias e visão de um futuro", elogiou o grupo de jovens corbynianos Momentum, que aderiu a Starmer./AFP 

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