Centristas abandonam coalizão de Netanyahu

Saída do Kadima deve antecipar eleições parlamentares e parar diplomacia de Israel

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2012 | 03h03

A coalizão partidária comandada pelo premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, que domina a maioria dos assentos do Parlamento, se rompeu ontem, com a saída do centrista Kadima - menos de três meses após o partido moderado surpreender o país ao oferecer seu apoio ao governo de direita de Netanyahu.

Provocada por uma disputa sobre uma lei que regulamenta a convocação de jovens religiosos ao serviço militar, a fratura não derrubará o primeiro-ministro, mas, provavelmente, antecipará as eleições previstas para outubro de 2013 - um cenário que paralisaria a diplomacia no Oriente Médio por meses.

Mesmo se Netanyahu conseguir manter unido o restante da coalizão, essa crise política poderá ter implicações mais amplas na região, por deixar o premiê à frente de uma apertada maioria parlamentar composta por religiosos e nacionalistas linha-dura que se opõem a concessões aos palestinos.

"Não foi fácil entrar no governo. Paguei publicamente um preço por isso. Mas não há como escapar da necessidade de romper", disse o vice-premiê e líder do Kadima, Shaul Mofaz, que buscava aprovar uma legislação que obrigaria todos os judeus ultraortodoxos de 18 anos a alistar-se no Exército. O premiê, porém, propôs na tarde de ontem uma versão mais amena da lei (mais informações nesta página).

Atualmente, os judeus radicais não são obrigados a prestar serviço militar.

Custo político. O súbito rompimento poderá minar a credibilidade de Mofaz, que de volta à oposição deverá tentar remover Netanyahu do cargo nas próximas eleições. Há dois anos, o líder centrista encorajou seu partido a formar coalizão com o premiê. Ao tornar-se presidente do Kadima, porém, disse que nunca se juntaria ao atual governo. Em maio, Mofaz surpreendeu seu país fazendo exatamente isso.

A participação do Kadima no governo criou uma das maiores coalizões na história de Israel e foi considerada um golpe de mestre de Netanyahu. Nas últimas eleições, o partido moderado obteve o maior número de assentos no Parlamento israelense, um a mais que o Likud do premiê.

"Netanyahu pensa que sua proposta pode chegar a um acordo e provocar uma mudança histórica e responsável, como nunca ocorreu desde o estabelecimento do Estado (de Israel)", disse ao Haaretz uma fonte envolvida na negociação da nova lei. "A proposta de Netanyahu contradiz as determinações da Suprema Corte, não atende ao princípio de igualdade, é desproporcional", afirmou o líder do Kadima ao diário israelense. / NYT, REUTERS e AP

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