Centro Carter deixa de observar processos eleitorais na Venezuela

Em relatório publicado na quarta-feira, organização fundada pelo ex-presidente dos EUA Jimmy Carter disse que focará 'recursos limitados em outros países que tenham solicitado apoio'

O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 16h19

CARACAS - Depois de 13 anos acompanhando de perto o processo político na Venezuela, o Centro Carter anunciou oficialmente o fechamento de seus escritórios e o fim de suas operações no país caribenho para "focar seus recursos limitados em outros países que tenham solicitado apoio".

A organização de promoção da democracia e dos direitos humanos fundada pelo ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter (1977-1981) informou a decisão em seu último relatório de acompanhamento do processo político eleitoral na Venezuela, publicado na quarta-feira, 5.

"O Centro Carter aproveita a ocasião para informar sobre sua decisão de encerrar suas operações na Venezuela e focar seus recursos limitados em outros países que tenham solicitado apoio", afirma a conclusão do texto. A organização "continuará monitorando o desenvolvimento do atual processo político eleitoral no país a partir da sua sede, em Atlanta", no Estado americano da Georgia, completa o relatório.

"Com o fechamento de seus escritórios na Venezuela em 31 de maio, o Centro Carter deseja expressar sua gratidão pelo trabalho e pela dedicação demonstrada por todos seus funcionários e por sua equipe de consultores, assim como por muitos dos venezuelanos que assessoraram e participaram das atividades do Centro nos últimos 13 anos", aponta o relatório.

O anúncio acontece pouco menos de quatro meses antes das eleições parlamentares marcadas para dezembro na Venezuela, cuja preparação era examinada até agora em relatórios mensais da organização americana. O Centro Carter observou frequentemente as eleições convocadas na Venezuela desde 1998 e manteve escritórios no país pelo menos desde 2002.

Nos últimos anos, o trabalho do Centro ganhou especial relevância depois da recusa do governo da Venezuela em permitir a observação eleitoral pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Nas eleições presidenciais de 2012, o Centro Carter optou por não participar como "acompanhante" por considerar que tratava-se de um conceito mais restrito do que a observação internacional que prevaleceu na Venezuela até 2006 e na qual ele participou desde 1998.

No entanto, o centro aceitou a figura de acompanhamento no processo presidencial de abril de 2013 para o momento político importante que o país enfrentou após a morte do presidente Hugo Chávez (1999-2013). Para as eleições legislativas em dezembro, a oposição pediu a presença de observadores internacionais como a OEA, o que foi rejeitado na semana passada pelo presidente Nicolas Maduro na sede da ONU, dizendo que a Venezuela "não é monitorados e nem será monitorada por qualquer pessoa."

O relatório recentemente publicado pelo Centro Carter diz que "apesar de o Conselho Nacional Eleitoral (da Venezuela) não ter dado nenhuma resposta do público negando" os pedidos de observação da OEA e da União Europeia (UE), "as recentes declarações de porta-vozes do governo são sinais que apontam para um fechamento desta possibilidade." / EFE

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