17 de março de 2011 | 12h03
Ofensivas do governo no leste do país testam limites de rebeldes
Forças do governo líbio e rebeldes voltaram a entrar em confrontos nesta quinta-feira, disputando o controle da cidade de Benghazi, até agora mantida sob controle da oposição.
Testemunhas dizem ter visto aviões de guerra do regime de Muamar Khadafi atacar as forças rebeldes.
O porta-voz da oposição, Mustafa Gheriani, confirmou à BBC que o aeroporto nos arredores da cidade foi atingido.
A ofensiva vem horas depois que os rebeldes afirmaram ter contido o avanço das forças de Khadafi no leste da Líbia.
Um repórter da BBC na cidade de Ajdabiya - a última localidade antes de Benghazi - disse que os oposicionistas usaram armas pesadas e pelo menos um avião caça para resistir às tropas do governo.
Um novo ataque a Benghazi já era esperado. Na quarta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha chegou a retirar o seu pessoal da cidade temendo a iminente chegada da violência.
Enquanto os combates prosseguem na frente de batalha, no plano diplomático continuam as discussões sobre a decretação de uma possível zona de exclusão aérea sobre a Líbia para evitar mais ataques do governo.
Ainda nesta quinta-feira o Conselho de Segurança da ONU pode votar uma resolução sobre o assunto. China e Rússia se opõem a um bloqueio aéreo e preferem uma resolução impondo primeiro um cessar-fogo.
Negociações
Na quarta-feira, os Estados Unidos disseram estar preparados para apoiar a imposição do bloqueio aéreo, mas apenas se a medida tiver a autorização da ONU.
Entre os diplomatas, as negociações têm sido longas e difíceis. Na Europa, Grã-Bretanha e França foram os mais fortes defensores de um bloqueio aéreo. Após uma hesitação inicial, os países que integram a Liga Árabe também se manifestaram favoravelmente.
Em um primeiro momento, os Estados Unidos haviam manifestado restrições em relação à imposição de uma zona de exclusão aérea, assim como Alemanha, Rússia e China.
Agora, os americanos acreditam que a medida está entre as ações necessárias para colocar Khadafi sob pressão.
Ainda assim, a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, disse acreditar que a restrição aérea não seja suficiente para proteger a população da Líbia.
"Esse tipo de medida possui limitações inerentes em termos de proteção de civis que estão sob risco imediato'', afirmou Rice.
Linguagem polêmica
A correspondente da BBC na ONU, Barbara Plett, afirma que a polêmica envolvendo a resolução da ONU reside em sua linguagem polêmica, que prevê todas as ações necessárias para a proteção de civis.
Alguns interpretaram este trecho como uma autorização de ataques contra forças terrestres do governo, caso civis estejam sob ataque.
A Rússia e a China possuem sérias restrições em relação a uma ação militar, assim como a China. Como contrapartida, os russos propuseram uma resolução impondo primeiro um cessar-fogo.
De acordo com diplomatas ocidentais, a proposta foi rejeitada por ter sido considerada excessivamente branda.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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