Centro-direita abre negociação com governo sueco após histórica vitória eleitoral

Os dirigentes do bloco de centro-direita tiveram nesta segunda-feira sua primeira reunião após a vitória nas eleições legislativas da Suécia, enquanto o social-democrata Goeran Persson, que até então era o primeiro-ministro, apresentou a renúncia de seu governo ao presidente do Parlamento, Björn von Sydow.Von Sydow se reunirá na terça-feira (19) com os outros líderes políticos e encomendará a Fredrik Reinfeldt, do Partido Moderado (conservador), a formação de um novo governo de centro-direita, depois da vitória eleitoral da Aliança pela Suécia no domingo com 48,1% dos votos, contra os 46,2% obtidos pelo bloco de esquerda."Concordamos que a composição do governo seja definida entre todos os líderes da aliança. Mas não falamos em nomes, isso vem por último", disse hoje Reinfeldt no final da reunião, realizada em seu escritório parlamentar.Assim, os conservadores ficam em clara posição de liderança com o resultado histórico de quase 11 pontos a mais, chegando a 26,1%, enquanto o Partido Liberal, que perde 5,9 pontos e cai para 7,5%, foi superado pelos centristas, apesar de continuar acima dos democrata-cristãos.Direita no poderA aliança, que pela primeira vez reuniu a centro-direita sob um mesmo programa, deve definir agora o projeto vitorioso, baseado na aproximação a um modelo de bem-estar social e nos ataques à política trabalhista social-democrata. A Suécia foi governada pelos sociais-democratas em 65 dos últimos 74 anos.Medidas como a redução e futuro desaparecimento do Imposto sobre o Patrimônio, deduções fiscais a empresas que contratem jovens e cortes em subsídios são algumas das promessas eleitorais da Aliança pela Suécia, que deve revelar se privatiza ou não empresas estatais como a SAS ou a Telia Sonera.Reinfeldt deverá manter a união dentro da aliança para não repetir os erros cometidos pela centro-direita nas duas vezes que teve chance de quebrar a hegemonia social-democrata nos últimos 74 anos: de 1976 a 1982, com três governos diferentes; e de 1991 a 1994, quando ficou preso ao partido populista Nova Democracia.A vitória da oposição provocou uma leva alta hoje da coroa sueca frente ao dólar e ao euro, de 4 e 5 centavos, respectivamente. Também gerou elogios da imprensa, que fez trocadilhos para dizer que Persson agora será conhecido como "o que não decide mais".A imprensa lembra que a derrota de Persson ocorre em um momento de boa situação econômica e que os 35,2% obtidos pelo Partido Social-Democrata, 4,8 pontos a menos que em 2002, é o pior resultado desde 1914.Persson reconheceu novamente hoje sua "decepção" pelo resultado, e comunicou que continuará seu mandato de deputado enquanto mantiver a liderança do partido, posto de onde sairá em um congresso extraordinário em março de 2007, apesar de não ter esclarecido o que fará depois.A saída do homem que dominou a social-democracia sueca na última década deixa a dúvida de uma sucessão que tem muitos candidatos, mas nenhum favorito, uma vez que o nome indicado para sucedê-lo, a ministra das Relações Exteriores Anna Lindh, foi assassinada em 2003.A morte de Lindh alterou os planos de Persson de deixar o cargo em um momento de alta popularidade, e levou o líder a continuar à frente do partido e do governo, que viveu seu pior momento quando foi duramente criticado pela atuação na catástrofe no sudeste asiático em dezembro de 2004, na qual 500 suecos morreram.SucessoresPersson não quis hoje apontar um sucessor, mas pediu que o processo seja "limpo, justo e aberto".Entre os possíveis substitutos, têm boas chances a presidente do sindicato social-democrata LO, Wanja Lundby-Wedin, as ministras de Cooperação, Carin Jaemtin; da Infra-estrutura, Ulrika Messing; e do Meio Ambiente, Mona Sahlin.Sahlin seria a sucessora de Ingvar Carlsson na liderança do partido em 1996, mas um escândalo econômico deixou a atual ministra sem opções e Persson herdou a posição.A vice-presidente da Comissão Européia (CE), Margot Wallstroem, que também está em boa situação, disse hoje à imprensa sueca que era uma "honra" o povo se interessar por ela, mas ressaltou que quer terminar seu trabalho em Bruxelas, embora não tenha rejeitado categoricamente a possibilidade de assumir o lugar de Persson, com quem manteve uma relação conturbada.O Partido Social-Democrata, que em mais de cem anos de história nunca teve uma mulher como líder, tem também vários candidatos, como o ministro das Finanças, Paer Nuder, considerado o "herdeiro" de Persson, mesmo sem muita popularidade; da Indústria, Thomas Oestros; e da Justiça, Thomas Bodstroem.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.