Centro-direita vence eleições e recupera poder na Suécia

A Aliança pela Suécia, coalizão de centro-direita liderada pelo conservador Fredrik Reinfeldt, conseguiu neste domingo uma vitória histórica nas eleições legislativas e colocou fim a 12 anos de Governo social-democrata.O primeiro-ministro sueco, Goeran Persson, anunciou sua saída, após 10 anos à frente do Governo e do Partido Social-Democrata, depois do resultado do pleito ser divulgado.O Partido Social-Democrata obteve 35,2%, 4,7 pontos a menos que nas eleições de 2002, enquanto seus aliados do Partido da Esquerda e do Partido do Meio Ambiente alcançaram 5,8% e 5,2%. O Partido Moderado (conservador) de Reinfeldt foi o grande vencedor das eleições, ao alcançar 26,1% dos votos.Os outros três partidos da aliança tiveram resultados díspares. O Partido Centrista ganhou 1,7 ponto (7,9%), mas o Partido Liberal perdeu 5,8 pontos (7,5%) e o Partido Democrata-Cristão, 2,5 pontos (6,6%).A participação nas eleições chegou a 80,4%, 1,3 ponto acima do pleito de 2002. As eleições gerais, como é tradição, coincidiram com as municipais e regionais.Quando apenas 78% das urnas estavam apuradas, a aliança ficou na frente e começou a se distanciar lentamente do bloco adversário. Com a apuração de 99% das cédulas, a aliança de centro-direita obteve 48,1% dos votos, contra 46,2% do bloco de esquerda.Vitória da direitaReinfeldt comemorou sua vitória com a de uma "equipe" que se atreveu a enfrentar a si mesma, a reconhecer seus erros e a desenvolver uma alternativa de Governo, e que essa linha devia continuar no futuro.O líder conservador, de 41 anos, e que assumiu a liderança em 2003 após o desastre eleitoral de seu partido, comemorou por ter conseguido "o melhor resultado de um partido de centro-direita nostempos modernos, e o maior avanço de um partido na história da Suécia".Poucos minutos depois de Reinfeldt proclamar a vitória, Persson anunciou que apresentará a renúncia de seu Governo na segunda-feira e convocará um congresso extraordinário, no qual deixará seu posto à frente do Partido social-democrata.Entre os aplausos de seus companheiros, Persson, de 57 anos, disse que uma nova geração devia assumir a direção do partido e buscar a vitória em 2010, mas ressaltou também que era necessário manter a linha política atual e fazer uma oposição "forte" diante da mudança de sistema que se aproxima."Não posso nem devo dirigir esse trabalho após uma liderança tão longa e, com quase 60 anos, serão outros que farão isso", disse Persson, que assumiu o cargo de líder do partido e de primeiro-ministro em 1996, após a saída do também social-democrata Ingvar Carlsson.Persson negou a existência de erros na campanha, mas lamentou não ter reagido antes e disse que com uma semana a mais a coalizão de esquerda teria vencido as eleições.A vitória da Aliança pela Suécia aparece como um triunfo pessoal de Reinfeldt, que uniu pela primeira vez na história os partidos de centro-direita sob um mesmo programa, e optou por abandonar a tradicional linha da direita de oposição frontal ao modelo de bem-estar social por uma linha mais moderada.Suas críticas à política trabalhista do Governo foram um dos pontos centrais da oposição, que conseguiu convencer o eleitorado apesar do bom andamento das finanças públicas e do domínio tradicional da social-democracia, que governou a Suécia por 65 dos últimos 74 anos.

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