Centro-direita vence segundo turno na França

Segundo boca de urna, a UMP, de Sarkozy, deve conquistar até 70 departamentos e o Partido Socialista, de Hollande, pode perder metade dos que governa

PARIS, O Estado de S.Paulo

30 Março 2015 | 02h02

O partido de centro-direita União por um Movimento Popular (UMP), do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, e seus aliados centristas saíram vitoriosos no segundo turno das eleições regionais na França ontem. Segundo pesquisa de boca de urna realizada pelo instituto CSA e divulgada pela BFMTV, a UMP deve conquistar entre 66 e 70 departamentos, em relação aos 41 que mantém atualmente.

A Frente Nacional, de extrema direita e liderada por Marine Le Pen, apesar de ter tido um bom desempenho, não conseguiu o suficiente para controlar nenhum departamento. Já os socialistas do presidente francês, François Hollande, sofreram pesada derrota e podem perder metade dos 61 departamentos que comandam.

As eleições regionais são vistas como um teste importante para a eleição presidencial em 2017 na França. O segundo turno de ontem confirmou as expectativas provenientes do primeiro turno, em 22 de março: se por um lado respaldou o retorno de Sarkozy à cena política, movimento que teve início no ano passado, por outro, significou um duro golpe a Hollande, que vê sua popularidade cair.

A extrema direita da Frente Nacional, por sua vez, vem lutando para alcançar os 50% de votos necessários para materializar em um resultado eleitoral o crescente apoio que vem recebendo. Seu desempenho na eleição foi bem recebido por Marine, filha de Jean-Marie Le Pen, fundador da legenda. "O feito histórico desta noite é a instalação da Frente Nacional e da coalizão Bleu Marine como potente força política em diversos territórios, disse. Para ela, as eleições de hoje são "as grandes vitórias de amanhã".

Em sua primeira reação à boca de urna, Sarkozy atribuiu a derrota dos socialistas à "rejeição em massa" ao governo de Hollande. Segundo o ex-presidente, "abre-se agora uma nova etapa" que terminará com a volta da direita ao Palácio Eliseu em 2017. "A hora da mudança é agora", disse Sarkozy.

Corrèze. Um dos símbolos da derrota de Hollande, ontem, foi o Departamento de Corrèze, onde o presidente vota, no centro do país. Corrèze, recuperado pelo Partido Socialista em 2008 e mantido a duras penas em 2011, voltou às mãos dos conservadores, que condenaram o mau desempenho econômico da região sob o governo Hollande.

No departamento rural, tradicionalmente de direita, o ex-presidente Jacques Chirac foi por muitos anos eleito deputado, até que, em 2008, Hollande derrotou os conservadores e o governou até ser escolhido presidente da República, em 2012. Recuperá-lo era, portanto, uma prioridade para Sarkozy, ex-chefe de Estado francês e presidente da UMP, que apoiou a campanha contra Hollande feita pela ex-primeira-dama Bernadette Chirac no departamento que é sua terra natal.

Também será dolorosa para a esquerda a derrota em alguns departamentos tradicionalmente governados por ela, como Allier, Nord e Côtes d'Armor.

O mapa eleitoral mostra nitidamente onde o Partido Socialista resiste, mantendo a maioria dos departamento do sul e da região centro-sul, assim como alguns da região da Bretanha, enquanto o restante está nas mãos dos conservadores.

Diante do resultado negativo para os socialistas, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, disse que o Poder Executivo manterá as reformas iniciadas no governo Hollande, com foco na economia, mas reconheceu que a votação refletiu o sentimento geral dos cerca de 50% dos eleitores que compareceram às urnas. "Com o voto e, até mesmo, com a abstenção, os franceses voltaram a expressar expectativas e cansaço frente a uma vida cotidiana difícil", disse. Segundo Valls, nos próximos dias serão lançadas medidas para aumentar o investimento público e privado, assim como para reduzir os impostos. / COM EFE e REUTERS

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