Centro financeiro do país, Mumbai parou

Governo pede que população fique em casa; brasileiros relatam drama

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2008 | 00h00

Mumbai estava sitiada ontem. A população foi orientada a não sair às ruas e o comércio, os bancos, a Bolsa de Valores, as estações de trem e as escolas permaneceram fechados, relatam brasileiros que vivem na cidade."Os indianos costumam falar que ninguém consegue parar Mumbai. Nem mesmo os atentados a trens de 2006 conseguiram isso. Agora, a cidade está parada", disse por telefone ao Estado o vice-cônsul do Brasil em Mumbai, Chateaubriand Chapot Bezerra Neto. Com quase 20 milhões de habitantes, a cidade é o centro financeiro da Índia e a sede de Bollywood, a indústria cinematográfica que mais produz filmes no mundo. Mais rica cidade da Índia, ela é também o retrato dos contrastes e problemas que assolam o país. O trânsito é intenso e caótico, marcado pelo barulho constante de buzinas - ontem, silenciadas. Trens vivem apinhados e é comum ver famílias inteiras dormindo nas ruas. Os dramas sociais são agravados pelo fato de Mumbai ter uma das mais altas densidades populacionais do mundo.Os atentados que tiveram início na noite de quarta-feira se concentraram na região sul de Mumbai, onde ficam as principais atrações turísticas, a maior Bolsa de Valores do país, a sede do Banco Central e os hotéis cinco-estrelas. "Essa região é muito freqüentada por turistas e estrangeiros que vivem na cidade", diz a brasileira Elizabeth Kobara, que mora em Mumbai desde 2006 e há duas semanas jantou no Hotel Oberoi, um dos alvos dos atentados.Pouco antes das 23 horas de quarta-feira, a brasileira ouviu dois fortes estrondos e foi à janela, pensando que se tratava de trovões. O céu, porém, estava limpo. Ela só soube que o barulho era de bombas quando o marido ligou para casa.A estudante Lara Sessak, que realiza intercâmbio em Mumbai, também soube do atentado pelo telefone, quando um amigo ligou do Brasil para saber se ela estava bem. Logo depois, dois colegas indianos também telefonaram, preocupados com o fato de a brasileira viver em Vile Parle, onde um carro-bomba explodiu. A mãe da jovem ligou às 4 horas. "É muito estranho. No Brasil, a gente só vê isso pela TV", afirmou Lara.

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