Centro Kirchner, o 'novo Colón', de R$ 1,2 bi, é aberto sob críticas

Obra apresentada como a maior do tipo da região foi idealizada como grande legado dos anos K custou o valor de 300 escolas

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2015 | 02h00

A Argentina ganhou ontem o maior conjunto cultural do país, um quarteirão com 110 mil m2 e nove andares de auditórios, cinemas, teatros e centros de exposições sem paralelo na América Latina. Dos pontos turísticos de Buenos Aires - Obelisco, Caminito, Casa Rosada e Teatro Colón -, esse tende a ser o mais controvertido, a começar pelo nome: Centro Cultural Kirchner.

Trata-se de uma homenagem ao ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), morto em 2010, que em 2006 decidiu transformar o abandonado prédio neoclássico dos Correios, a três quadras da sede presidencial. Seu pai tinha sido carteiro. A remodelação do edifício, erguido entre 1889 e 1929, começou em 2010.

Em um ano eleitoral, a abertura do prédio, que o governo destacou como "duas vezes maior que o francês Pompidou" e "comparável ao Lincoln Center", em Nova York, foi interpretada por opositores e canais de TV críticos como um ato eleitoral durante a semana pátria. A presidente Cristina Kirchner inaugurou o local em rede nacional, a 19.ª desde janeiro, média de uma por semana.

A obra custou o equivalente a R$ 1,2 bilhão, o que fez comediantes ligados à oposição lembrarem uma ocasião em 2012 que Cristina disse ser a reencarnação de um arquiteto egípcio. Também foram feitos cálculos de quantas escolas poderiam ser construídas: 300. Recordou-se que um hospital materno-infantil custará o equivalente a "só" R$ 170 milhões.

"São especulações políticas. Quando se fazem comparações sobre o que é mais prioritário, se pensa em escolas e hospitais, mas centros como esse produzem desenvolvimento no futuro", respondeu o arquiteto Enrique Bares, um dos autores do projeto, à agência Telam.

Na parte histórica do prédio, fica o escritório em que Evita Perón trabalhava em sua fundação nos anos 40 e 50. No setor industrial, está a sala para sinfônicas para 1,7 mil espectadores, a Ballena Azul (Baleia Azul).

Entre as partes já abertas - restam setores inacabados - há um terraço para 260 pessoas que será o mirante mais importante da capital. A cúpula mudará de cor conforme o presidente que estiver visitando o país.

"Quando a Argentina explodiu em 2001, a única cultura era a da sobrevivência. A obra nos iguala aos grandes centros culturais do mundo. Estou tão emocionada que me falta o ar. Mas fiquem tranquilos, ou intranquilos alguns. Penso seguir respirando", disse Cristina.

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