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Centro que busca criminosos da Segunda Guerra revela 12 mil nazistas que atuaram na Argentina

Dezenas de autoridades responsáveis pelo Holocausto e pelo extermínio nos campos de concentração, entre eles Josef Mengele e Adolf Eichmann, fugiram para o país

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2020 | 20h57

BUENOS AIRES - Uma lista com os nomes de 12 mil nazistas que atuaram na Argentina foi divulgada nesta terça-feira, 3, pelo centro Simón Wiesenthal, cuja missão é encontrar criminosos da Segunda Guerra.

"Muitos dos nazistas abriram uma ou mais contas bancárias no Schweizerische Kreditanstalt, que se tornou o Banco Credit Suisse, com sede em Zurique", informou a entidade em um comunicado à imprensa.

Dezenas de autoridades responsáveis pelo Holocausto e pelo extermínio nos campos de concentração, entre eles Josef Mengele e Adolf Eichmann, foram localizados como refugiados na Argentina, em sua maioria com identidades falsas para despistar os investigadores.  

"Durante a década de 1930, o regime militar pró-nazista do presidente José Félix Uriburu, chamado de 'Von Pepe', e do seu sucessor Agustín Pedro Justo, acolheu uma crescente presença nazista na Argentina", ressaltou Wiesenthal.

"As organizações nazistas incluíam desde empresas alemãs como a IG Farben (que fornecia o gás Zyklon-B, utilizado para exterminar judeus e outras vítimas do nazismo), até órgãos financeiros como o Banco Alemão Transatlântico e o Banco Germânico da América do Sul", segundo a instituição.  

O Centro Wiesenthal disse que "esses dois últimos bancos aparentemente serviram para a realização das transferências nazistas à Suíça", contou Shimon Samuels, um dos diretores da organização. 

"Muitos dos nomes da lista estavam relacionados com empresas pró-nazistas incluídas na Lista de Bens Interditados pelos EUA e o Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial". 

Grupos argentinos pró-nazistas tentaram sumir com as provas dessas atividades ao queimar arquivos.  No entanto, o investigador argentino Pedro Filipuzzi descobriu uma cópia original da lista de 12 mil nomes em um velho depósito de Buenos Aires, em seguida compartilhando com o Centro Wiesenthal. /AFP

 

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