Cerca de 130 mil refugiados sírios chegam à Turquia

Cerca de 130 mil refugiados sírios chegam à Turquia

Moradores procuram abrigo ao fugir do avanço do Estado Islâmico na Síria

Estadão Conteúdo

22 de setembro de 2014 | 10h33

Cerca de 130 mil refugiados sírios chegaram à Turquia nos últimos quatro dias, fugindo do avanço do grupo Estado Islâmico, informou o vice-primeiro-ministro da Turquia, Numan Kurtulmus, nesta segunda-feira, advertindo que o número pode subir ainda mais.

Ele afirmou, porém, que a Turquia está pronta para reagir ao "pior cenário". "Eu espero que não enfrentemos uma onda de refugiados mais populosa, mas se isso acontecer, já tomamos nossas precauções", disse Kurtulmus. "Uma onda de refugiados que possa ser expressada em centenas de milhares é uma possibilidade."

Os refugiados têm chegado à Turquia desde quinta-feira, escapando da ofensiva do Estado Islâmico. O grupo levou o conflito para as proximidades da fronteira turca. A guerra civil na Síria já expulsou mais de 1 milhão de pessoas do país nos últimos três anos.

O Estado Islâmico, que já foi ligado à Al-Qaeda, estabeleceu um califado numa faixa que inclui territórios da Síria e do Iraque, e implementou uma dura versão da lei islâmica. Nos últimos dias, o grupo avançou para regiões curdas sírias que fazem fronteira com a Turquia. Refugiados da região disseram no domingo que nas regiões tomadas pelo grupo extremista sunita pessoas eram apedrejadas, decapitadas e casas eram incendiadas.

Nesta segunda-feira, os confrontos entre combatentes curdos e militantes do Estado Islâmico aconteciam perto da cidade de Kobani, norte sírio, também conhecida como Ayn Arab, informou o Observatório Sírio pelos Direitos Humanos.

Segundo o observatório, militantes perderam ao menos 21 combatentes desde a noite de domingo, a maioria deles na periferia sul de Kobano.

Nawaf Khalil, porta-voz do Partido de União Democrática Curda, disse à Associated Press que a situação em terra "é melhor do que antes".

Ele acrescentou que a principal força curda na Síria, conhecida como Unidades de Proteção Popular, empurraram os combatentes do Estado Islâmico para posições a cerca de 10 quilômetros de onde estavam antes, a leste de Kobani.

"Vamos lutar até o último homem em Kobani", declarou Khalil.

A situação do lado turco da fronteira era tensa, já que ocorreram mais confrontos entre curdos, que querem cruzar para o lado turco, e policiais que querem impedir que ele cheguem à região.

A cidade de Suruc, que fica nas proximidades, estava cheia de refugiados e veículos militares blindados eram vistos em movimentação.

"Isto não é um desastre natural...o que enfrentamos é um desastre provocado pelo homem", disse Kurtulmus, o vice-primeiro-ministro turco.

"Nós não sabemos quantas vilas serão invadidas, quantas pessoas poderão ser forçadas a buscar refúgio. Não sabemos", disse ele. "Uma força incontrolável do outro lado da fronteira está atacando civis. A extensão do desastre é pior do que a de um desastre natural." Fonte: Associated Press.

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