Cerca de 70 detentos fazem greve de fome em Guantánamo

O número de detentos que estão em greve de fome na base americana de Guantánamo subiu de três para 75, segundo informações do Exército dos Estados Unidos nesta segunda-feira. A adesão à greve reflete a atitude desafiadora entre os prisioneiros, homens que estão detidos por até 4 anos, muitos sem acusações formais. O comandante da Marinha, Robert Durand informou que o aumento do número de prisioneiros em greve de fome é um movimento para "chamar a atenção" e que pode estar relacionado aos enfrentamentos entre dez detentos e guardas no dia 18 de maio, no qual seis prisioneiros ficaram feridos. "A greve de fome é uma técnica consoante com as práticas da Al-Qaeda e reflete as tentativas dos detentos de chamar a atenção da mídia internacional para pressionar os Estados Unidos a libertá-los para o campo de batalha", afirmou Durand.Em agosto de 2005, 76 detentos começaram uma greve de fome em protesto contra seu confinamento por tempo indefinido. Um mês depois o número de grevistas aumentou para 131, mas resumiu-se a apenas três no começo deste ano, de acordo com o Exército. Advogados dos prisioneiros alegam que muitos deles desistiram da greve porque os militares adotaram medidas mais agressivas para obrigá-los a comer. O Exército rebate as acusações afirmando que seus procedimentos são "seguros e humanos". Atualmente, militares americanos mantém detidos cerca de 460 homens em Guantánamo sob suspeita de ligação com a Al-Qaeda ou o Taleban. Grupos de proteção aos direitos humanos afirmam que muitos inocentes foram capturados durante a administração do presidente Bush e sua "guerra contra o terror", e mandados para prisão em Cuba. Somente dez prisioneiros foram acusados formalmente por crimes. Seus julgamentos militares, os primeiros a serem realizados desde a Segunda Guerra Mundial, devem começar em alguns meses. Contudo, a Suprema Corte deve decidir em junho se o presidente Bush abusou de sua autoridades ao ordenar os julgamentos de alguns dos presos em Guantánamo.

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