Cerca de 700 membros da Al-Qaeda operam no Reino Unido

O MI5 (serviço de espionagem interior britânico) identificou pelo menos 700 supostos membros da rede terrorista Al-Qaeda que operam no Reino Unido, segundo a edição desta quarta-feira do jornal The Independent.O diário, que cita fontes das forças de segurança e do Governo britânico, indica que, desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, o número de simpatizantes da Al-Qaeda no país aumentou em 300%, o que constitui uma ameaça para a segurança nacional. Apesar dos números totais não terem sido revelados, fontes indicam que eles ultrapassam os 400 citados anteriormente, podendo chegar a 700 pessoas. A polícia estimava que o número de simpatizantes do grupo extremista em 2001 era de 200."Estamos falando de radicais e conspiradores que são uma ameaça potencial para a segurança nacional", disse uma fonte das forças de segurança.A fonte diz ainda que os grupos extremistas no Paquistão aumentaram os esforços para recrutar jovens britânicos muçulmanos que visitem o país. Segundo outra fonte pertencente ao Governo, o MI5 "se encontra atualmente em um nível de intensidade operacional muito alto em relação a (possíveis) complôs para cometer atentados com numerosas vítimas no Reino Unido".A mesma fonte governamental acrescentou que esse panorama "muda o tempo todo", enquanto "muitos dos conspiradores são britânicos e atualmente vivem no Reino Unido".O jornal publicou tal informação na véspera da divulgação de dois relatórios sobre os atentados suicidas de 7 de julho contra a rede de transportes de Londres, que causaram 56 mortes - incluindo os quatro terroristas - e deixaram 700 feridos.O Secretário do Interior, John Reid, falará na quinta-feira na Câmara dos Comuns apontando a necessidade de lidar com o fundamentalismo muçulmano no Reino Unido.De acordo com o jornal, um dos documentos foi elaborado pelo Comitê de Inteligência e Segurança da Câmara dos Comuns e conclui que nem o MI5 nem o MI6 (serviço de espionagem exterior) tinham indícios ou pistas que fizessem pensar na possibilidade de um ataque.No entanto, o relatório parlamentar criticou os serviços secretos ao confirmar que estes tinham sob sua vigilância o suposto "cérebro" dos ataques, o britânico de origem paquistanesa Siddique Khan, mas foram incapazes de averiguar suas intenções.Além disso, o comitê assinala que não existem provas que demonstrem a relação dos quatro terroristas com a Al-Qaeda.Sempre de acordo com o The Independent, o segundo documento é um "relato" dos fatos escrito por um alto funcionário a pedido do Ministério do Interior.Esse dossiê conclui que os quatro responsáveis pelo massacre eram terroristas "autodidatas" que conseguiram fabricar bombas recolhendo informação da internet. O compartilhamento de inteligência entre o Reino Unido e o Paquistão será criticado. Apesar de possuir uma base na capital paquistanesa, Islamabad, o MI6 não estava ciente de visitas ao país e contatos com grupos islâmicos de dois dos investigados, entre eles Khan.

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