Cerca de mil presos no primeiro dia de greve no Nepal

Cerca de mil líderes políticos e ativistas foram detidos nesta quinta-feira no Nepal, de acordo com fontes da oposição, durante o primeiro dos quatro dias de paralisação geral para pressionar o regime do rei Gyanendra. Fontes dos partidos opositores, que organizaram as mobilizações, garantiram que houve 500 detenções só na quinta-feira em Katmandu."Nossos protestos continuarão até 9 de abril apesar das detenções e, nos próximos dias, aumentarão", disse o porta-voz do principal partido opositor, o Congresso Nepalês, Krishna Sitaula. "O primeiro dia de greve foi um sucesso, e a população apoiou nossa convocação", acrescentou.A greve geral paralisou grande parte do Nepal, onde foram registrados confrontos nas ruas e também ataques da guerrilha maoísta, que mataram 19 pessoas no sul do país, entre elas oito soldados e cinco policiais. As ruas de Katmandu estavam desertas e as lojas e fábricas permaneceram fechadas.Os manifestantes protestam contra a "monarquia autárquica" de Gyanendra e terminará no sábado com uma manifestação, apesar da proibição de concentrações públicas feita pelo governo.O monarca nepalês vem governando o país com mão de ferro após destituir, há pouco mais de um ano, o governo eleito e assumir o poder absoluto, em meio às críticas da comunidade internacional.O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, se disse preocupado com a crescente tensão vivida no Nepal e com as detenções de líderes políticos. "Embora a manutenção da lei e da ordem seja responsabilidade do Estado, as preocupações de segurança não devem ser a base para negar aos cidadãos seu direito de se manifestar pacificamente", disse Annan em comunicado divulgado na quinta-feira em Nova York.Rajendra Pandey, do Partido Comunista do Nepal, segunda maior força política do país, disse que centenas de manifestantes foram presos em diferentes regiões do país nesta quinta-feira.Em várias áreas da capital, houve enfrentamentos entre as forças de segurança e os ativistas e, em alguns casos, os agentes foram apedrejados pela multidão.A guerrilha maoísta anunciou na segunda-feira uma trégua unilateral no vale de Katmandu depois de o governo ter declarado que temia que os rebeldes se aproveitassem da greve geral para fazer ataques. No sul do país, no entanto, o dia foi marcado por confrontos entre os agentes de segurança e rebeldes.

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