Cercada por água e fogo em Kesennuma

Kumagi Hiro, de 83 anos, dona de uma pequena pousada para pescadores à beira-mar, tinha acabado de almoçar quando sentiu o mais forte terremoto de sua vida.

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2011 | 00h00

Ela e a filha, Sachiro, correram para o carro na esperança de chegarem a um lugar alto antes que as ondas inundassem a cidade. As ruas estavam tomadas por outros carros também em fuga e as duas perceberam que não conseguiriam escapar a tempo. Como muitos outros moradores de Kesennuma, cidade visitada pelo Estado na quarta-feira, elas abandonaram o carro na rua e correram.

Mãe e filha conseguiram entrar em um dos poucos edifícios altos da cidade - uma fábrica de refrigeração de peixe - onde outras 19 pessoas buscaram abrigo. Quando o tsunami acabou, o prédio foi envolto por um cenário apocalíptico, com incêndios causados pelo combustível que vazou dos navios e se misturou com o mar. Logo começaram as explosões dos botijões de gás que provocaram novas labaredas. "Estávamos cercados de água e fogo e as explosões pareciam fogos de artifício", contou Kumagi.

Grande parte da cidade deixou de existir. Não havia como sair do prédio e Kumagi e os companheiros começaram a acenar toalhas para os helicópteros. Só às 17h30 um deles parou sobre o local e começou a içar os sobreviventes, quando já estava totalmente escuro.

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