Cerco a ditador afeta vida na embaixada brasileira

O embargo financeiro imposto pela Europa e EUA contra o regime de Bashar Assad está atingindo diretamente a vida na Embaixada do Brasil em Damasco. A representação do Itamaraty na Síria recebia seus recursos para pagar salários e custos de manutenção do Banco do Brasil em Nova York. Com o embargo, as transferências tornaram-se inviáveis. A solução tem sido despachar um diplomata uma vez por mês para uma capital europeia para trazer dinheiro vivo.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2012 | 03h04

Os problemas começaram no fim do ano passado. O governo americano criou, entre as várias sanções, restrições para a transferência de recursos para a Síria de bancos com negócios nos EUA. A meta era asfixiar o regime de Assad e isolar o governo. Dezenas de colaboradores de Assad entraram na lista de proibições e ficaram impedidos de viajar tanto para os EUA quanto para a Europa. A mulher e a sogra de Assad também foram afetadas.

O governo brasileiro rejeita a legitimidade dessas medidas unilaterais. Mas nem por isso ficou livre dos problemas causados por elas.

Pelo sistema de pagamentos do Itamaraty, o centro da distribuição dos recursos para missões no exterior passa pela agência do Banco do Brasil em Nova York. Com o embargo, a agência decidiu seguir a linha adotada pelo governo americano para evitar problemas. Mas acabou deixando a embaixada isolada financeiramente.

Não apenas os salários de diplomatas deixaram de ser enviados, mas também os recursos para arcar com custos de água, eletricidade e outros serviços foram suspensos.

Num primeiro momento, optou-se por buscar o dinheiro no Líbano, num trajeto que pode ser feito de carro - cerca de 200 quilômetros. Mas problemas na fronteira e a situação das estradas inviabilizaram o plano.

Hoje, para pagar salários e arcar com os custos da embaixada em Damasco, o dinheiro precisa ser sacado em uma capital europeia. Segundo confirmaram fontes do Itamaraty envolvidas no processo, uma vez por mês um funcionário de Damasco deixa a Síria, vai de avião para a Europa, pega o dinheiro em espécie e volta.

Apesar dos problemas, não há sinal de que o Brasil pretenda fechar sua embaixada em Damasco. O governo estima que mantém ainda um bom diálogo com o regime Assad. Além disso, há cerca de 2.500 cidadãos brasileiros residentes na Síria que podem precisar de ajuda. Além de filhos de sírios que nasceram no Brasil, o país tem ainda quatro jogadores de futebol brasileiros.

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